Pesquisadores do Hospital Kitano, em Osaka, Japão, e da Universidade de Kyoto estão cada vez mais próximos de realizar um sonho antigo da odontologia: desenvolver um medicamento capaz de fazer crescer dentes perdidos. A expectativa é que, se os testes forem bem-sucedidos, o tratamento esteja disponível para o público geral até 2030.
Como funciona o tratamento
A equipe liderada por Katsu Takahashi, chefe do departamento de odontologia e cirurgia oral do Hospital Kitano, estuda há anos os genes envolvidos no crescimento dentário. Em 2021, eles publicaram um estudo mostrando que o bloqueio da proteína USAG-1 poderia permitir que novos dentes se formassem.
O segredo do processo está na ativação de germes dentários, uma terceira geração de dentes que permanece dormente nos humanos. Ao inibir a proteína produzida pelo gene USAG-1, o corpo “lembra” que pode gerar novos dentes, explicou Takahashi. Esse mecanismo já é naturalmente observado em pessoas com hiperdontia, condição que leva ao crescimento de dentes extras.
Avanços em regeneração dentária
O novo tratamento se soma a outras pesquisas que usam células-tronco para regenerar tecidos dentários. Em 2018, cientistas identificaram células-tronco específicas capazes de regenerar a polpa do dente. Em 2020, descobriu-se que implantes de células-tronco humanas poderiam reconstruir vasos sanguíneos e nervos, e ainda desenvolveram um hidrogel que auxilia na regeneração óssea dentária.
Testes em humanos já começaram
Em 2024, o medicamento começou a ser testado em 30 homens entre 30 e 64 anos que haviam perdido pelo menos um dente. Cada participante recebeu a substância por via intravenosa, e o acompanhamento vai durar 11 meses para avaliar segurança e eficácia. Até agora, os testes anteriores com animais não apresentaram efeitos colaterais, o que deixa os pesquisadores otimistas.
Se os resultados forem positivos, o próximo passo será aplicar a terapia em crianças com condições congênitas que impedem o desenvolvimento de dentes.
Um novo horizonte para a odontologia
Atualmente, as opções mais avançadas para substituir dentes perdidos são implantes ou próteses, procedimentos eficazes, mas que exigem cirurgia e manutenção e não se integram biologicamente ao corpo. Um medicamento capaz de gerar dentes naturais abriria novas possibilidades na medicina regenerativa e poderia transformar a odontologia mundial.
Segundo Takahashi, a meta é que o tratamento esteja disponível para todos antes de 2030, marcando um avanço histórico na ciência e na saúde bucal.
