O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Staged, com o objetivo de apurar a suposta prática do crime de fraude processual envolvendo um homicídio ocorrido, em tese, durante um confronto policial, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado.
A ação foi conduzida pela Promotoria de Justiça Criminal de Cachoeiro de Itapemirim, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-Sul), e contou com o apoio de policiais militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Corregedoria da Polícia Militar e do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).
Mandados e efetivo mobilizado
Ao todo, a operação mobilizou 68 policiais militares, responsáveis pelo cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cachoeiro de Itapemirim.
Os mandados foram cumpridos em endereços ligados aos investigados no município. Os suspeitos são policiais militares e um cidadão civil, cujas identidades não foram divulgadas em razão do sigilo das investigações.

Suspeita de simulação de confronto
Segundo o MPES, as investigações apontam indícios de que o homicídio investigado teria sido apresentado como resultado de um confronto policial, quando, na verdade, pode ter ocorrido uma simulação de enfrentamento armado com o objetivo de alterar ou encobrir a real dinâmica dos fatos.
A suspeita é de que os envolvidos tenham atuado para forjar elementos do cenário da ocorrência, caracterizando possível fraude processual, crime previsto no Código Penal.

Posição do Ministério Público
Em nota, o Ministério Público do Espírito Santo destacou que a operação busca o completo esclarecimento dos fatos, a responsabilização individual dos envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas, e o fortalecimento dos princípios da legalidade, transparência e probidade na atuação das instituições de segurança pública.
“O MPES reforça seu compromisso com a apuração rigorosa e imparcial de qualquer conduta que possa comprometer a credibilidade das forças de segurança”.
informou o órgão.
Investigação segue sob sigilo
As investigações seguem em andamento e tramitam sob sigilo, medida adotada para preservar a eficácia das diligências e garantir a correta instrução do procedimento investigatório.
A Polícia Militar do Espírito Santo também informou que o sigilo é necessário para não comprometer as apurações e assegurar o devido processo legal.
Associação acompanha o caso
Por meio de nota, a Associação de Cabos e Soldados da Polícia e Bombeiros do Espírito Santo (Aspra-ES) informou que os policiais militares presos foram encaminhados para Vitória, onde passaram por exame de corpo de delito e, posteriormente, foram conduzidos ao presídio militar.
A entidade afirmou ainda que acompanha o caso desde o início e que presta suporte jurídico e social aos policiais associados e a seus familiares.
