Os Estados Unidos afirmaram neste sábado (03) que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças americanas após um “ataque de grande escala” realizado em território venezuelano. A informação foi confirmada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e por autoridades do governo dos EUA, que alegam que o líder venezuelano será julgado em solo americano por uma série de crimes federais.
Segundo Trump, a operação resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido retirados do país por via aérea. O presidente dos EUA afirmou que mais detalhes sobre a ação serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, divulgou nas redes sociais uma lista de crimes atribuídos a Maduro, que teriam fundamentado a operação. De acordo com ela, Maduro e Cilia Flores foram formalmente indiciados no Distrito Sul de Nova York. As acusações incluem conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para uso desses armamentos com o objetivo de atentar contra os Estados Unidos.
Bondi afirmou que o casal deverá responder aos processos em tribunais federais americanos e enfrentar “toda a severidade da Justiça dos Estados Unidos”. A procuradora também agradeceu publicamente a Trump pela decisão de avançar com a responsabilização judicial e elogiou a atuação das Forças Armadas americanas, classificando a operação como “bem-sucedida”.
Confirmação política e repercussão internacional
A captura também foi mencionada pelo senador republicano Mike Lee, de Utah, que afirmou ter conversado com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o senador, Rubio teria confirmado que Maduro está sob custódia americana e que a ofensiva militar na Venezuela foi concluída.
“O secretário me informou que Maduro foi preso por agentes americanos para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação militar foi empregada para proteger aqueles que executavam o mandado de prisão”.
escreveu Lee nas redes sociais.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu “contenção” e respeito ao direito internacional. Em publicação na rede X, ela afirmou que, apesar de a UE questionar a legitimidade democrática de Maduro, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados.
Ataques e clima de tensão na Venezuela
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando Caracas durante a madrugada, além de explosões em diferentes pontos da capital e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira. Relatos indicam que instalações militares, como a base aérea de La Carlota e o Forte Tiuna, teriam sido alvos dos ataques. Nossa equipe teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo Instagram ES na Fita:
Situação frenética na região
Moradores relataram momentos de pânico. “Eu estava dormindo quando ouvi aviões e explosões. O clima é de medo”, disse à AFP um morador da zona leste de Caracas.
O governo venezuelano classificou a ação como uma “gravíssima agressão militar” e afirmou que áreas civis e militares foram atingidas. A vice-presidente Delcy Rodríguez declarou que o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores é desconhecido e cobrou uma “prova de vida” do casal.

Histórico das acusações
Maduro governa a Venezuela há 13 anos e é alvo de acusações do governo americano desde 2020, quando foi formalmente denunciado por narcoterrorismo e conspiração para tráfico internacional de drogas. Os EUA chegaram a oferecer recompensas que chegaram a US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão, alegando que ele seria líder do chamado “Cartel de los Soles”.
Washington sustenta que as acusações se baseiam em provas apresentadas a um júri federal. Caracas, por sua vez, nega envolvimento com o narcotráfico e afirma que as ações dos EUA têm como objetivo derrubar o governo venezuelano e controlar as reservas de petróleo do país.

Reação do presidente do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou os ataques e a prisão de Maduro, classificando a ação como “inaceitável” e uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela. Segundo Lula, intervenções armadas violam o direito internacional e criam precedentes perigosos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, interrompeu as férias para retornar a Brasília e participar de uma reunião emergencial no Itamaraty. O governo brasileiro afirmou que defende o diálogo e a cooperação como caminhos para a estabilidade regional.
