Um cidadão chinês de 27 anos foi detido no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, após agentes de segurança encontrarem milhares de formigas vivas escondidas em sua bagagem. O caso aconteceu nesta última terça-feira (10), e chamou atenção das autoridades ambientais devido ao volume incomum de insetos transportados. Ele foi preso no principal aeroporto do Quênia, suspeito de tentar contrabandear mais de 2 mil formigas rainhas.
De acordo com documentos apresentados à Justiça, o suspeito tentava embarcar rumo à China quando foi submetido a uma inspeção detalhada. Durante a revista, fiscais localizaram cápsulas e recipientes improvisados contendo os insetos, configurando uma tentativa de contrabando de espécies protegidas.
Mais de 2.200 formigas estavam escondidas na bagagem
Segundo investigadores, foram apreendidas ao todo 2.238 formigas vivas, sendo a maior parte acondicionada em tubos de ensaio especialmente preparados para garantir a sobrevivência durante o transporte.
Outras centenas estavam ocultas em três rolos de papel higiênico colocados dentro da mala.
Promotores afirmaram em audiência que a forma de armazenamento indicava planejamento prévio e possível participação em uma operação organizada de tráfico de fauna silvestre.
Investigação aponta ligação com rede internacional
Autoridades do Serviço de Vida Selvagem do Quênia informaram ao tribunal que o suspeito pode ter ligação com um esquema maior de biopirataria que atua na coleta e exportação ilegal de espécies nativas.
Relatórios iniciais apontam que ele permaneceu cerca de duas semanas no país e teria contado com a ajuda de cúmplices locais para obter as formigas.
Além disso, um carregamento semelhante com origem queniana foi interceptado recentemente em Bangkok, o que reforça a suspeita de uma rede transnacional dedicada ao comércio ilegal desses insetos.
Demanda crescente por formigas raras no exterior
Especialistas explicam que determinadas espécies, como a Messor cephalotes, têm se tornado altamente valorizadas entre colecionadores e criadores de formigueiros artificiais, principalmente na Europa e na Ásia.
Esses criadouros, geralmente feitos em recipientes transparentes, permitem observar o comportamento social das colônias, o que atrai entusiastas dispostos a pagar valores elevados por exemplares raros.
No entanto, a retirada indiscriminada desses insetos do ambiente natural pode causar impactos significativos no equilíbrio ecológico, afetando a fertilidade do solo e a biodiversidade local.
Justiça autorizou novas diligências
O tribunal queniano autorizou a manutenção da prisão temporária do suspeito por cinco dias para que sejam realizadas análises em dispositivos eletrônicos apreendidos com ele, incluindo um smartphone e um computador portátil.
Investigadores acreditam que os aparelhos podem conter informações sobre rotas de tráfico, compradores internacionais e outros envolvidos no esquema.
Casos anteriores indicam mudança no perfil da biopirataria
Nos últimos anos, autoridades ambientais observaram uma mudança no foco do contrabando de vida selvagem.
Enquanto anteriormente o comércio ilegal estava concentrado em produtos como marfim e partes de grandes mamíferos, agora espécies menores e menos conhecidas passaram a ser alvo devido ao alto valor no mercado clandestino.
Em um episódio recente considerado histórico, quatro homens foram condenados no Quênia por tentarem exportar milhares de formigas rainhas. O caso reforçou o alerta sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa para proteger a fauna local.
