Quatro pessoas foram assassinadas a tiros e uma quinta vítima ficou ferida durante um ataque criminoso registrado na tarde deste último sábado (23), no bairro Flexal II, em Cariacica. Entre os mortos estão três integrantes da mesma família — pai, filho e genro — além de um amigo do grupo. O crime aconteceu em um terreno utilizado para ações sociais, enquanto as vítimas realizavam corte de madeira no local.
A chacina mobilizou equipes das forças de segurança e causou forte comoção entre moradores da região pela violência e pela frieza da execução.
As vítimas foram identificadas como Hélio da Silva Souza, de 58 anos, o filho dele Jean de Castro Souza, o genro Ruan Carlos da Silva Ribeiro e o amigo da família Carlos Daniel Rocha dos Santos.
Segundo informações apuradas, os quatro mortos eram conhecidos na região por se posicionarem abertamente contra o tráfico de drogas.
Um quinto homem — que não terá o nome divulgado por questões de segurança — foi atingido por um tiro no peito, socorrido com vida e encaminhado para um hospital da Grande Vitória.
Segundo informações apuradas pela repórter Priciele Venturin, da TV Gazeta, todas as vítimas estavam no terreno realizando limpeza e corte de madeira quando foram surpreendidas por criminosos armados.
Criminosos invadiram terreno e abriram fogo contra vítimas
De acordo com as primeiras informações da investigação, homens armados chegaram ao terreno e efetuaram diversos disparos contra o grupo.
As vítimas trabalhavam na limpeza e corte de madeira quando foram surpreendidas pelos criminosos.
Segundo a Polícia Militar, os suspeitos fugiram logo após o ataque, utilizando uma escadaria que dá acesso ao campo do Apolo, área apontada pelas autoridades como local de intensa movimentação do tráfico de drogas.
Parentes das vítimas estiveram no local logo após o crime. Muito abalados, eles preferiram não conceder entrevistas.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), em Vitória.

Polícia aponta possível represália ligada ao tráfico
A principal linha de investigação da Polícia Civil é de que o crime tenha sido motivado por uma represália ligada ao tráfico de drogas na região.
Segundo as autoridades, um desentendimento ocorrido horas antes do massacre pode ter motivado o ataque.
Durante coletiva de imprensa realizada neste domingo (24), o tenente-coronel Prado afirmou que a família realizava a limpeza do terreno, situação que estaria dificultando a utilização do espaço por traficantes para esconder entorpecentes.
“A família estava realizando a limpeza da área, algo que acabava atrapalhando o uso do local pelo tráfico.”
explicou o oficial.
Operação termina com suspeitos presos e apreensão de arma
Durante as buscas pelos autores do crime, dois suspeitos acabaram presos neste domingo (24).
Um homem de 28 anos foi detido suspeito de participação direta na chacina e autuado em flagrante por quatro homicídios duplamente qualificados e por tentativa de homicídio duplamente qualificada.
Outro homem, de 31 anos, também foi preso durante a operação e responderá por tráfico de drogas.
Os nomes dos presos não foram divulgados oficialmente pelas autoridades.
Polícia apreendeu drogas e arma que passará por perícia
As diligências envolveram equipes do Batalhão de Missões Especiais (BME) e do 7º Batalhão da Polícia Militar.
Segundo o tenente-coronel Prado, além das prisões, os policiais apreenderam drogas e uma arma de fogo.
O armamento será submetido à perícia balística para verificar se foi utilizado na execução das vítimas.
A Polícia Militar informou ainda que as buscas continuam para localizar outros envolvidos no ataque, incluindo um apontado líder do tráfico da região que estaria foragido do sistema prisional desde o último Natal.
Terreno pertence a projeto social
O terreno onde aconteceu o crime pertence ao Ministério Internacional Resgatado para Contar (MIRC Brasil), organização que desenvolve projetos sociais na comunidade.
Responsável pelo projeto, o pastor Sidney Pereira de Souza e Silva, conhecido como pastor Sinei, informou que o espaço estava sendo utilizado para retirada de madeira após autorização para corte de uma árvore destinada à fabricação de móveis.
Após a chacina, o pastor gravou um vídeo lamentando o ocorrido e se posicionando sobre a tragédia.
Polícia Civil segue investigando o caso
O caso segue sob investigação do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP).
As autoridades continuam realizando diligências para identificar e localizar outros suspeitos envolvidos na execução.
A Polícia Civil reforçou que informações que possam ajudar nas investigações podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181. O sigilo é absoluto.
