A morte de uma mulher de 52 anos dentro de um apartamento em Guarapari, no litoral do Espírito Santo, ganhou contornos ainda mais chocantes após a prisão do principal suspeito: o próprio namorado da vítima, que já havia sido condenado por outro homicídio no estado. Rosi Mari Marcelly Ayalla foi encontrada morta e em avançado estado de decomposição na tarde desta última quarta-feira (27), no bairro São Judas Tadeu. O suspeito, Alex de Almeida Barros, de 48 anos, foi localizado horas depois em Minas Gerais, após fugir com o carro da vítima e tentar incendiar o próprio corpo durante a abordagem policial.
De acordo com a Polícia Militar, Rosi não era vista há aproximadamente 20 dias. Familiares e amigos começaram a desconfiar do desaparecimento após perceberem que a mulher não atendia ligações telefônicas e respondia apenas por mensagens escritas, comportamento considerado incomum por pessoas próximas.
A descoberta do corpo aconteceu após parentes pedirem ajuda para entrar no imóvel onde ela morava, nas proximidades da Praia da Areia Preta. A proprietária do apartamento autorizou o acesso lateral da residência, utilizado para manutenção da caixa d’água. Assim que entraram no local, os familiares sentiram um forte odor vindo do interior do imóvel.
O corpo de Rosi foi encontrado no segundo andar do apartamento já em estado avançado de decomposição. A perícia da Polícia Científica foi acionada e realizou os procedimentos no local. Em seguida, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), em Vitória, onde passará por necropsia antes de ser liberado para os familiares.
Suspeito fugiu para Minas Gerais e tentou colocar fogo no próprio corpo
Enquanto familiares tentavam entender o desaparecimento da vítima, Alex de Almeida Barros circulava com o carro de Rosi em direção ao estado de Minas Gerais. Segundo a PM, o veículo passou a ser monitorado até que equipes das forças de segurança capixabas e mineiras conseguiram localizar o suspeito na cidade de Rio Casca.
Durante a abordagem na BR-262, Alex teria despejado gasolina sobre o próprio corpo e tentado atear fogo em si mesmo. Em seguida, correu para uma área de mata na tentativa de escapar do cerco policial.
Após buscas, o suspeito acabou capturado. Ele sofreu queimaduras durante a ação e foi encaminhado para atendimento hospitalar. O estado de saúde dele não foi divulgado pelas autoridades.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou ainda que Alex possui antecedentes por estelionato, ameaça, lesão corporal e perturbação na região de Caratinga.

Polícia investiga motivação financeira no crime
As investigações iniciais apontam que o suspeito estaria tentando obter cerca de R$ 300 mil relacionados à venda de um imóvel da vítima. Segundo a polícia, Alex utilizava o celular de Rosi para enviar mensagens a conhecidos, solicitando transferências bancárias e cobranças financeiras em nome dela.
Uma corretora que acompanhava a negociação do imóvel desconfiou das mensagens recebidas e passou a alertar familiares da vítima sobre a situação.
“A mulher vendeu o apartamento por uns 300 e poucos mil e ele tava querendo pegar esse dinheiro. Estava se passando por ela, inclusive, para receber o dinheiro da corretora, mas a profissional desconfiou.”
relatou um policial militar.
O aposentado Reni José Freitas, vizinho de Rosi, também recebeu mensagens consideradas suspeitas. Ele havia comprado móveis da vítima e afirmou ter estranhado a forma como a cobrança foi feita.
“Eu tinha que pagar uma última parcela para ele e recebi essa mensagem dizendo: ‘faz um pix pro meu namorado, eu estou autorizando’. Depois pediram para deixar o dinheiro com outra pessoa. Achei estranho porque não era do jeito dela agir.”
contou.
Segundo a polícia, nenhum valor chegou a ser entregue ao suspeito.
Vítima era natural de Goiás e morava há dois anos no Espírito Santo
Rosi Mari Marcelly Ayalla era natural do estado de Goiás e vivia no Espírito Santo há cerca de dois anos. Ela deixa um filho.
Amigos relataram que a vítima mantinha contato frequente com familiares e pessoas próximas, o que aumentou a preocupação diante do sumiço repentino e da ausência de áudios ou chamadas telefônicas durante vários dias.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari.

Suspeito já havia sido condenado por matar ex-noiva em Anchieta
O histórico criminal de Alex de Almeida Barros chamou atenção dos investigadores. O homem já havia sido condenado pela morte da ex-noiva, Euzineia Loyola, assassinada em 2020 no município de Anchieta, no Sul do Espírito Santo.
Na ocasião, Euzineia foi encontrada morta em um sítio da família, na região de Goembê. O corpo apresentava sinais de estrangulamento e estava dentro de uma piscina coberta por lona.
Segundo informações do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), Alex foi condenado por homicídio simples e recebeu pena de 12 anos de prisão. Ele estava preso desde agosto de 2020 e conseguiu o livramento condicional em setembro de 2025, após cumprir mais de um terço da pena e atender aos requisitos legais previstos na legislação.
Assim como ocorreu no caso de Rosi, familiares da ex-noiva também estranharam o desaparecimento da vítima na época. De acordo com relatos do processo, Alex chegou a afirmar que Euzineia havia viajado de ônibus, versão que levantou suspeitas entre parentes.
Agora, a polícia apura se há outras circunstâncias envolvendo o relacionamento entre Alex e Rosi, além da possível motivação financeira já identificada nas investigações preliminares.

Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo portal G1, ao qual creditamos a apuração dos fatos. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
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