O Tribunal do Júri de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, julga nesta quarta-feira (10) Felipe Silva de Almeida, acusado de assassinar a ex-companheira, Aline Ribeiro da Rosa, com mais de dez disparos de arma de fogo em julho de 2024. O julgamento está marcado para ocorrer a partir das 10 horas, no Fórum de Aracruz, e é acompanhado com expectativa por familiares, amigos e pessoas que acompanharam um dos casos de feminicídio que mais repercutiram no estado nos últimos anos.
Felipe responde por feminicídio triplamente qualificado. Segundo as investigações, ele não aceitava o fim do relacionamento com Aline, com quem teve dois filhos, e vinha ameaçando a vítima meses antes do crime. O assassinato ocorreu em plena luz do dia, em frente a um bar localizado no bairro Fátima, diante de diversas testemunhas.
Crime foi registrado diante de testemunhas
Aline Ribeiro da Rosa foi morta na tarde de 21 de julho de 2024. Conforme relatos reunidos durante a investigação, Felipe foi até o estabelecimento onde a ex-companheira estava e iniciou uma série de intimidações.
Testemunhas afirmaram que o acusado deixou o local após as ameaças, mas retornou pouco tempo depois armado. Em seguida, efetuou diversos disparos contra a vítima, que morreu ainda no local.
A brutalidade do crime causou forte comoção em Aracruz e em todo o Espírito Santo. Imagens registradas por câmeras de segurança circularam nas redes sociais e ampliaram a repercussão do caso.

Vítima havia denunciado ameaças semanas antes
As investigações apontam que Aline já vinha demonstrando preocupação com o comportamento do ex-companheiro. Pouco mais de um mês antes do assassinato, ela procurou uma delegacia para denunciar ameaças constantes e relatar que Felipe estaria armado.
No registro policial realizado em 9 de junho de 2024, a vítima informou que o acusado não aceitava o término do relacionamento e que temia pela própria segurança.
De acordo com pessoas próximas à família, Aline chegou a obter uma medida protetiva contra o ex-companheiro. Entretanto, posteriormente, a proteção judicial teria sido suspensa.
Ligação para o Ciodes ocorreu minutos antes da execução
Um dos detalhes que mais chamaram a atenção durante a investigação foi o fato de Aline ter buscado ajuda poucos minutos antes de ser assassinada.
Segundo informações apuradas no processo, ela utilizou o telefone celular de uma pessoa que estava no bar para entrar em contato com o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes).
Na ligação, a vítima relatou que estava sendo ameaçada por Felipe, que já havia ido ao local e criado uma situação de tensão entre as pessoas presentes.
Pouco tempo depois do pedido de socorro, o acusado retornou ao estabelecimento e efetuou os disparos que tiraram a vida de Aline.
Áudio revelou detalhes do crime
Após o feminicídio, um áudio atribuído a Felipe Silva de Almeida veio à tona e passou a integrar os elementos analisados durante a investigação.
Na gravação, o acusado relata o ocorrido e admite ter efetuado os disparos contra a ex-companheira. Em determinado trecho, ele afirma estar arrependido, mas também faz declarações que demonstram a tentativa de justificar o assassinato, responsabilizando a própria vítima pelo crime.
O conteúdo gerou indignação entre familiares e movimentos de combate à violência contra a mulher, que apontaram o áudio como um retrato da violência de gênero e da incapacidade do agressor de aceitar o fim do relacionamento.
“Ela ficava me provocando muito, entendeu? Ai, eu fui atrás dela buscar meu filho e ela estava no bar bebendo. Eu fui perguntar onde estava meu filho e ela disse ‘sai fora, os caras da boca falou, se você atentar contra mim, eles vão dar um tiro na sua cara’. Ela falou um monte de coisa comigo e eu já coloquei a arma na cara dela e já era, piquei bala, descarreguei o pente. Tô arrependido, estava chorando e triste, mas ela mereceu, ela procurou.”
disse Felipe por áudio.
Acusado permaneceu foragido por dois dias
Após matar Aline Ribeiro da Rosa, Felipe Silva de Almeida fugiu e permaneceu foragido por cerca de dois dias.
A busca mobilizou as forças de segurança da região até que, na noite de 23 de julho de 2024, ele se apresentou espontaneamente na Delegacia Regional de Linhares, onde foi preso e colocado à disposição da Justiça.
Desde então, o caso seguiu tramitando até a decisão que levou o acusado ao Tribunal do Júri.
Família espera condenação
A morte de Aline deixou marcas profundas entre familiares e amigos. Além da dor provocada pela perda, a vítima deixou dois filhos pequenos, um menino de 3 anos e um bebê de apenas 1 ano de idade, ambos frutos do relacionamento com o acusado.
Nesta quarta-feira, parentes e pessoas próximas acompanham o julgamento na expectativa de que a Justiça reconheça a gravidade do crime e aplique uma pena compatível com os fatos apresentados durante o processo.
Para a família, o julgamento representa um momento de busca por responsabilização e memória para uma mulher que, segundo os relatos reunidos pela investigação, tentou buscar ajuda diversas vezes antes de ser morta.
