Dois homens, de 39 e 40 anos, foram presos pela Polícia Civil nesta última terça-feira (16), suspeitos de atuar na comercialização de armas de alto poder de fogo para traficantes ligados a facções criminosas no Estado. Durante a operação, os policiais apreenderam um verdadeiro arsenal, incluindo quatro fuzis, uma carabina, um rifle, três pistolas e centenas de munições.
Segundo a investigação, os suspeitos seriam responsáveis por fornecer armamentos usados por grupos criminosos em diferentes regiões do Espírito Santo.
Arsenal tinha armas de alto poder destrutivo
De acordo com a Polícia Civil, parte do material apreendido era considerada de alto poder ofensivo, com capacidade de atingir alvos a longas distâncias e atravessar estruturas como paredes e latarias de veículos.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou o risco desse tipo de armamento circular nas mãos de criminosos.
“O que nos preocupa é a potencialidade desses armamentos, que chega a ser letal até dois quilômetros de distância. Ele atravessa paredes, lataria de veículos, então, em confronto há um risco muito maior de um popular acabar sendo atingido.”
afirmou.
Entre os armamentos encontrados estava um fuzil de fabricação turca, avaliado em aproximadamente R$ 30 mil no mercado legal e que poderia alcançar até R$ 50 mil no comércio clandestino, segundo a polícia.
Investigação começou após descoberta de grupo que distribuía drogas
As prisões ocorreram após uma investigação que teve início com a prisão de integrantes de uma família suspeita de armazenar e distribuir drogas para traficantes.
Segundo o delegado Ricardo Almeida, chefe do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), os trabalhos levaram os investigadores até os dois homens apontados como fornecedores das armas.
“Nós identificamos um grupo, na verdade, era uma família, era um homem de 40 anos, a esposa de 35 e o filho adolescente, que usava um sítio no município de Viana como um ponto de guarda de entorpecentes e, a partir dali, distribuía para traficantes da região metropolitana. Então, desdobrando essa investigação, nós identificamos uma dupla, que fornecia armas para essa família, que depois revendia essas armas para os traficantes.”
explicou o delegado.
Suspeitos negociavam armas com diferentes grupos criminosos
Conforme os responsáveis pela investigação, os dois presos não fariam parte de uma facção específica. A suspeita é de que eles atuavam como comerciantes ilegais de armas, negociando os equipamentos com diferentes organizações criminosas que atuam no Espírito Santo.
Grande parte do arsenal foi localizada em um apartamento no bairro Colina de Laranjeiras, na Serra, onde o homem de 40 anos foi preso.
O segundo suspeito, de 39 anos, foi encontrado no bairro Porto Novo, em Cariacica.

Armas tinham numeração raspada e origem será investigada
A polícia informou que todas as armas apreendidas estavam com a numeração raspada, dificultando a identificação da origem dos equipamentos.
Agora, o Denarc trabalha para descobrir como os armamentos chegaram ao Estado e qual era a rota utilizada pelo grupo para abastecer criminosos.
Durante a ação, os investigadores também apreenderam um celular iPhone 17 Pro Max com restrição de furto e uma pistola encontrada dentro de um veículo no estacionamento do condomínio.
“Dentro da casa, nós também encontramos um iPhone 17 Pro Max, que ele disse que comprou. Só que nós identificamos que esse telefone tinha uma restrição de furto. Além disso, foi encontrada uma pistola dentro do carro que estava lá no estacionamento do condomínio.”
afirmou Ricardo Almeida.
Veículo com giroflex levantou suspeita da polícia
Além do arsenal, os policiais encontraram um carro equipado com um giroflex semelhante ao utilizado por forças de segurança.
Segundo a investigação, o equipamento poderia ser usado para facilitar o transporte das armas, fazendo o veículo parecer oficial durante deslocamentos.
“Nós acreditamos que esse carro estava sendo usado, ele estava se passando por policial para poder transportar essa arma e passar despercebido.”
disse o delegado do Denarc.
A polícia informou ainda que os dois homens tinham atividades profissionais formais. Um deles trabalhava em uma empresa do setor de energia elétrica e o outro era dono de uma distribuidora de gás.

Armas podem ter relação com guerra entre facções
A investigação também apura se parte do armamento apreendido foi utilizada em confrontos relacionados à disputa entre facções criminosas no bairro Santa Rita, em Vila Velha, região que ficou conhecida como “Faixa de Gaza” devido aos recentes episódios de violência registrados no local.
Os materiais apreendidos serão analisados pela polícia para identificar possíveis conexões com outros crimes ocorridos no Estado.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo jornal Folha Vitória. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
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