Um homem foi preso preventivamente, em Viana, suspeito de abusar sexualmente da própria enteada, uma menina de cinco anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O caso chegou ao conhecimento das autoridades na quarta-feira (12), depois que a criança apresentou sangramento na região íntima e precisou receber atendimento médico. Ela foi levada inicialmente a uma unidade de saúde de Viana e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves, em Soteco, Vila Velha, onde passou por cirurgia.
Polícia foi acionada após atendimento da criança
Segundo a Polícia Militar, uma equipe foi chamada ao hospital para acompanhar a ocorrência. Inicialmente, os militares conversaram com uma assistente social, que relatou o que havia sido informado pela mãe da menina.
A mulher contou que percebeu o sangramento depois que a filha foi ao banheiro. Em um primeiro momento, segundo o relato apresentado aos policiais, a criança teria dito que havia machucado a própria região íntima com um objeto. A mãe afirmou ainda que o ferimento teria ocorrido na segunda-feira (10).
No entanto, durante o atendimento, outros relatos levantaram dúvidas sobre a versão inicial.
Mãe apresentou outra versão aos policiais
Aos militares, a mãe explicou que havia saído de casa para registrar a filha mais nova, de três meses.
Durante esse período, segundo o relato da mulher, o marido teria informado que precisou trocar o lençol da cama porque a menina havia urinado no colchão.
Posteriormente, a mãe percebeu o sangramento e questionou a filha sobre o que havia acontecido. Ela também disse aos policiais que confrontou o companheiro sobre o caso.
Segundo a mulher, o homem negou qualquer envolvimento e afirmou que a própria criança teria provocado o ferimento.
Como a mãe estava acompanhada de outros três filhos, o Conselho Tutelar foi acionado. As crianças ficaram sob os cuidados de uma conselheira tutelar enquanto os procedimentos eram realizados.
Psicóloga percebeu contradições durante conversa
Uma psicóloga também participou da avaliação da criança e ouviu a menina e a mãe.
Conforme relatado pela profissional aos policiais, havia contradições na versão apresentada pela mulher.
A criança estaria em estado de choque e, durante a conversa, respondia às perguntas principalmente por meio de sinais positivos ou negativos.
Quando questionada se havia provocado sozinha o ferimento, a menina sinalizou negativamente.
Em seguida, a psicóloga perguntou se havia um homem com ela no momento em que os ferimentos ocorreram. Segundo o relato feito aos militares, a criança respondeu afirmativamente.
Mãe apontou o padrasto como suspeito
Diante da possibilidade de violência sexual, os policiais seguiram para a residência da família, em Viana. A mãe acompanhou a equipe durante o deslocamento.
Segundo a Polícia Militar, foi durante o trajeto que a mulher relatou aos policiais que a filha havia dito que o padrasto teria sido responsável pelos ferimentos.
Os militares encontraram o suspeito na residência. Questionado sobre a acusação, ele negou ter cometido o crime.
A mãe e o homem foram encaminhados para a Delegacia Regional de Vila Velha.
Mulher pediu medida protetiva
Na delegacia, a mãe da criança prestou depoimento e acabou liberada.
Segundo as informações repassadas no caso, a mulher também solicitou uma medida protetiva de urgência.
A investigação passou a ser conduzida pelas autoridades competentes para esclarecer as circunstâncias dos ferimentos e verificar a suspeita de abuso sexual contra a criança.
Justiça determinou prisão preventiva
A Polícia Civil informou que solicitou a prisão preventiva do suspeito. Como não havia situação de flagrante, foi necessário o pedido judicial para que a prisão fosse decretada.
O Poder Judiciário concedeu a medida.
O homem foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece preso e à disposição da Justiça.
A criança recebeu atendimento médico no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves e passou por cirurgia após ser transferida da unidade de saúde de Viana.
