Um policial penal de 47 anos foi preso em flagrante nesta última quinta-feira (10), suspeito de facilitar a entrada de material não autorizado na Penitenciária Regional de Cachoeiro de Itapemirim (PRCI), no Sul do Espírito Santo. Identificado como Dalton Dalara, o servidor confessou à direção da unidade que havia levado o material para dentro do presídio a pedido de detentos e afirmou que receberia R$ 1 mil pelo serviço.
A ocorrência foi descoberta durante uma ação de fiscalização realizada dentro da penitenciária. Duas buchas contendo um material semelhante a fumo, conhecido como “fumo sabiá”, foram encontradas com um dos detentos que participavam de aulas na escola da unidade. O conteúdo foi apreendido e encaminhado para perícia técnica, que deverá confirmar se a substância é realmente fumo ou se corresponde a algum tipo de droga ilícita.
Investigação começou após denúncias contra servidor
Segundo informações da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), a direção da penitenciária passou a investigar o servidor depois de receber denúncias sobre possíveis irregularidades envolvendo sua atuação.
A apuração contou com o acompanhamento do sistema de videomonitoramento da unidade e com a vigilância dos próprios agentes penitenciários. O trabalho permitiu acompanhar a movimentação relacionada à entrada do material.
Na quinta-feira (10), durante uma revista realizada nos detentos que estavam participando de aulas na escola do presídio, os agentes localizaram as duas buchas em posse de um dos estudantes.
Servidor confessou como o material chegou aos presos
Depois que o material foi encontrado, Dalton procurou a direção da penitenciária e admitiu que havia participado da entrada das buchas na unidade.
Conforme o relato apresentado pelo próprio servidor, ele teria aceitado levar o material para os detentos após receber a promessa de que ganharia R$ 1 mil no ambiente externo.
Ainda segundo a confissão, Dalton entrou na penitenciária carregando o material e o escondeu no banheiro da unidade. Depois, avisou um dos internos sobre o local onde havia deixado as buchas.
O primeiro detento teria ido até o banheiro, recolhido o material e, posteriormente, repassado as buchas para um segundo preso.
Polícia autuou servidor e dois detentos
Após a descoberta, o caso foi encaminhado à Delegacia Regional de Cachoeiro de Itapemirim. O policial penal foi autuado em flagrante pelo crime de corrupção passiva.
Dois detentos apontados como envolvidos na situação, de 39 e 42 anos, também foram autuados em flagrante. Segundo a PPES, eles responderão pelo crime de corrupção ativa.
Depois dos procedimentos policiais, Dalton foi transferido para o presídio de Viana, onde permanece à disposição da Justiça. A audiência de custódia está prevista para este sábado (12).
Os dois custodiados retornaram ao sistema prisional.

Corregedoria vai apurar conduta do servidor
Além da investigação criminal, a situação também provocou a abertura de uma apuração administrativa.
A Corregedoria da Polícia Penal foi acionada e instaurou um procedimento correcional para analisar a conduta do servidor. A apuração poderá resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e, conforme o resultado, levar à exoneração de Dalton.
Os dois internos envolvidos também serão submetidos a processos administrativos relacionados à execução de suas respectivas penas.
PPES afirma ter tolerância zero para desvios
A diretora-geral da Polícia Penal do Espírito Santo, Brigida Simões, afirmou que a instituição mantém ações permanentes de fiscalização nas unidades prisionais e adota uma política de tolerância zero diante de desvios de conduta.
Em manifestação divulgada pela PPES, a instituição destacou que a própria estrutura de fiscalização identificou a situação e adotou as providências contra o servidor.
“O fato de a própria instituição ter investigado, descoberto e conduzido o servidor à delegacia reforça o compromisso da Polícia Penal com a ética, a segurança e a transparência.”
informou a Polícia Penal.
A Corregedoria também deverá prosseguir com a apuração da responsabilidade administrativa e disciplinar do policial penal.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo portal G1, ao qual creditamos a apuração dos fatos. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
Agradecemos ao G1 pelo trabalho jornalístico e pela contribuição à disseminação da informação.
