A Polícia Civil concluiu que o assassinato do vaqueiro Alcimar Ribeiro Soares, de 53 anos, conhecido como “Cisso”, foi resultado de uma disputa pelo controle do tráfico de drogas na região de Jucu, em Viana. O crime aconteceu em 28 de janeiro deste ano, quando a vítima seguia de motocicleta para trabalhar em uma fazenda.
Segundo a investigação apresentada pela corporação em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17), o autor apontado para o homicídio é Weliton Alves do Espírito Santo, de 34 anos, conhecido como “Sementinha”, que já havia trabalhado para Alcimar tanto na fazenda quanto no tráfico de drogas.
De acordo com a Polícia Civil, Weliton teria decidido romper com o antigo chefe e assumir o controle da atividade criminosa na região. Para isso, segundo as investigações, preparou uma emboscada e matou Cisso.
Suspeito ficou escondido à espera da vítima
A investigação aponta que Sementinha deixou sua motocicleta estacionada na entrada do bairro Jucu, nas proximidades de uma igreja abandonada. Depois, entrou em uma área de mata e permaneceu escondido à espera de Alcimar.
Como conhecia a vítima e sabia os horários e a rotina dela, Weliton teria previsto que Cisso passaria pelo local a caminho do trabalho.
Quando Alcimar se aproximou, o suspeito saiu do esconderijo e efetuou os disparos.
A Polícia Civil também descobriu uma tentativa de criar um álibi antes do assassinato. No dia anterior ao crime, Weliton teria registrado uma falsa ocorrência informando que sua motocicleta havia sido furtada. Segundo a investigação, a intenção era justificar uma eventual presença da motocicleta na região caso alguém o tivesse visto chegando ao local.
Cisso era antigo no tráfico da região
Alcimar era apontado pela polícia como uma liderança antiga do tráfico de drogas em Jucu e já possuía antecedentes criminais.
Em 2017, ele foi preso depois que a Polícia Militar apreendeu drogas e armas na fazenda onde trabalhava. Entre os armamentos encontrados estava uma pistola Colt calibre .40, descrita como rara.
Durante a coletiva, o delegado Cleudes Júnior explicou que a influência de Cisso no tráfico não estava ligada a uma facção específica.
“Cisso tinha tanto respeito no mundo do crime que não possuía facção, não era nem Terceiro Comando Puro (TCP) nem Primeiro Comando de Vitória (PCV). As facções respeitavam ele pelo tempo no tráfico de drogas no bairro Jucu.”
disse.
Vaqueiro foi surpreendido durante a madrugada
No dia do homicídio, Alcimar saía de uma fazenda em direção a outra quando foi surpreendido pela emboscada. Segundo a Polícia Militar, o ataque ocorreu por volta das 3h40.
A vítima foi atingida pelas costas enquanto estava de motocicleta.
O SAMU foi acionado, mas os socorristas constataram a morte ainda no local.
A perícia da Polícia Científica identificou pelo menos nove perfurações provocadas por disparos de arma de fogo. Os tiros atingiram a cabeça, as pernas, o abdômen e o tórax de Alcimar.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para os procedimentos necessários.
Vítima já havia sido presa por tráfico
Moradores da região relataram às autoridades que Alcimar teria envolvimento com a venda de drogas.
Conforme informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), ele permaneceu preso entre 25 de abril de 2018 e 22 de junho de 2023, após ser condenado por tráfico de drogas.
A prisão ocorrida em 2018, segundo a investigação, acabou desencadeando uma disputa entre criminosos pelo controle do tráfico em Jucu.

Prisão de Cisso teria desencadeado outra guerra
A Polícia Civil relaciona a trajetória de Alcimar a um episódio ocorrido em janeiro de 2019, quando uma lanchonete do bairro Jucu foi palco de um crime que terminou com a morte de um traficante, um segurança do tráfico e um homem que não tinha envolvimento com a atividade criminosa.
Na época, o irmão de Alcimar, Aleandro Ribeiro Soares, foi apontado pela polícia como mandante.
Segundo a Polícia Civil, a motivação estaria relacionada à disputa pelo comando do tráfico. O controle da região teria sido entregue a um homem de confiança, e não a Aleandro.
Sementinha também foi assassinado meses depois
A investigação ganhou outro capítulo após a morte de Weliton Alves do Espírito Santo, o Sementinha.
Em 14 de abril, meses depois do assassinato de Alcimar, Weliton foi encontrado morto no bairro João Goulart, em Vila Velha. O corpo estava abandonado ao lado de uma motocicleta.
A perícia apontou que ele teria sido executado em outro local e posteriormente levado para o bairro, onde foi deixado.
Após o segundo homicídio, a Polícia Civil prendeu um suspeito que conhecia tanto Cisso quanto Sementinha.
As investigações continuam para esclarecer se a morte de Weliton foi uma retaliação pelo assassinato de Alcimar ou se ocorreu por outra motivação.

Caso segue investigado
A conclusão apresentada pela Polícia Civil aponta Sementinha como responsável pela emboscada que matou Alcimar e relaciona o crime à disputa pelo controle do tráfico em Jucu. A morte posterior de Weliton, porém, ainda é investigada para que seja esclarecida a motivação e eventual relação com o primeiro homicídio.
