O número de casos de mpox voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde no Espírito Santo. Em apenas uma semana, seis novas confirmações foram registradas no Estado, elevando para 17 o total de pessoas infectadas pela doença desde o início de 2026. Os dados constam no boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que aponta o maior número de registros em uma única semana epidemiológica neste ano.
A doença já foi identificada em sete municípios capixabas: Cariacica, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Serra, Vila Velha e Vitória. Outro dado que chama a atenção é que todos os 17 pacientes confirmados neste ano são homens.
Apesar do aumento recente, o número de infecções ainda está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o Espírito Santo contabilizou 38 casos. O cenário, entretanto, reforça a importância da vigilância, da identificação precoce dos sintomas e da procura por atendimento médico diante de possíveis sinais da doença.
Casos se concentram em pacientes de 30 a 39 anos
O levantamento da Sesa também apresenta a distribuição dos casos por faixa etária. Entre os pacientes infectados em 2026, a maior concentração está entre pessoas de 30 a 39 anos, grupo que reúne seis confirmações.
Na sequência aparecem duas faixas etárias com cinco registros cada: pessoas de 20 a 29 anos e pacientes de 40 a 49 anos.
Entre os sintomas identificados nos pacientes estão febre súbita, erupções cutâneas, fraqueza, dor de cabeça, dor de garganta, aumento dos gânglios linfáticos (ínguas), dores musculares, calafrios e dores nas articulações.
Número de casos é menor que o registrado em 2025
Mesmo com o crescimento observado na última semana, o Espírito Santo apresenta um volume de infecções inferior ao contabilizado no mesmo intervalo do ano passado.
Em 2025, foram confirmados 38 casos no Estado, enquanto em 2026 o total chegou a 17 até o início de novembro.
A comparação mostra uma redução expressiva no número acumulado de confirmações. Ainda assim, a concentração de seis novos registros em apenas uma semana coloca a evolução recente da doença no radar da vigilância epidemiológica.
Ministério da Saúde autoriza compra de 20 mil doses de vacina
Enquanto o Espírito Santo acompanha o aumento das confirmações, o Ministério da Saúde anunciou uma medida para reforçar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS): a autorização para adquirir até 20 mil doses da vacina contra a mpox.
A decisão foi tomada em meio ao crescimento recente das infecções no Rio de Janeiro, mesmo diante de uma redução de 94% nos registros nacionais em comparação com 2022.
Nesta quarta-feira (04), o Ministério da Saúde também encaminhou mais 2 mil doses do imunizante ao Rio de Janeiro, com o objetivo de ampliar as ações de prevenção e resposta à doença.
Com esse novo envio, o estado fluminense passou a contar com 3,5 mil doses destinadas em 2026. Segundo o ministério, outras remessas poderão ser realizadas conforme a necessidade identificada pelas autoridades de saúde.
A situação no Rio de Janeiro também preocupa pelo ritmo das novas confirmações. Conforme mostrou o g1, a capital fluminense registrou mais de 70 infecções nos últimos dois meses, número sete vezes superior ao contabilizado no mesmo intervalo do ano passado.
Em todo o Brasil, foram confirmados 665 casos neste ano. O volume representa uma queda expressiva em relação a 2022, quando o país ultrapassou 10 mil registros.
Apesar da diminuição, o governo federal considera fundamental manter o monitoramento epidemiológico e garantir a disponibilidade de vacinas para atender às necessidades dos estados.
Compra terá caráter preventivo
A aquisição das doses foi alinhada durante uma reunião realizada nesta quarta-feira (04). A operação será conduzida por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
De acordo com o Ministério da Saúde, a iniciativa tem caráter preventivo e estratégico. A intenção é recompor os estoques de imunizantes e assegurar que o SUS tenha condições de responder rapidamente caso ocorram mudanças no cenário epidemiológico.
Quem pode receber a vacina contra mpox?
A estratégia nacional de imunização estabelece prioridade para pessoas que vivem com HIV/aids e apresentam contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³. Esse grupo é considerado mais vulnerável ao desenvolvimento de complicações graves da doença.
O esquema vacinal prevê duas aplicações, com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose.
A orientação do Ministério da Saúde é que as pessoas que fazem parte desse público procurem os Centros de Referência onde já realizam acompanhamento médico. Nesses locais, devem fazer o cadastro para, posteriormente, agendar a vacinação.
Além do grupo prioritário, outros públicos podem receber doses remanescentes do imunizante, conforme a estratégia de vacinação:
- Pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³;
- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP);
- Profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.
Quais são os sintomas e quando procurar atendimento?
O aparecimento de lesões ou erupções na pele é um dos principais sinais de alerta para a mpox. Diante de sintomas compatíveis com a doença, a recomendação é procurar um serviço de saúde para avaliação.
Durante o atendimento, os profissionais investigam se houve contato ou exposição ao vírus, orientam sobre os cuidados necessários e, quando existe indicação, realizam a coleta de amostras para confirmação por meio de exames laboratoriais.
A atenção também deve ser redobrada por quem teve contato próximo com alguém que apresenta suspeita ou já recebeu confirmação da infecção. Nesses casos, é importante procurar atendimento para avaliar o risco de exposição.
Após o contato, a pessoa deve observar o possível surgimento de sintomas, principalmente:
- Lesões ou erupções na pele;
- Febre;
- Aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas.
O acompanhamento da mpox é realizado pelo Ministério da Saúde em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de saúde.
Entre as medidas adotadas estão a identificação e a notificação de casos suspeitos, investigação epidemiológica, realização de exames laboratoriais, isolamento das pessoas infectadas e identificação e orientação de quem teve contato com os pacientes.
Vacina também pode ser aplicada após contato com pessoa infectada
A imunização contra a mpox não é utilizada exclusivamente como medida preventiva antes de uma possível exposição. Ela também pode ser indicada para pessoas que tiveram contato com o vírus.
Segundo a orientação do Ministério da Saúde, a aplicação deve ocorrer preferencialmente nos primeiros quatro dias após a exposição.
Entretanto, a vacinação ainda pode ser realizada em até 14 dias depois do contato. Nesse intervalo, a capacidade de evitar a infecção é menor, mas a imunização pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves da doença.
Mpox pode matar? Entenda os riscos da infecção
Embora seja considerada de baixo risco para a população em geral, a mpox não deve ser tratada como uma doença inofensiva. A infecção pode provocar complicações graves e até levar à morte, principalmente entre pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Estão entre os grupos mais vulneráveis pacientes com HIV sem tratamento adequado, pessoas transplantadas e indivíduos que passam por tratamento contra o câncer.
Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a letalidade observada nos surtos globais mais recentes geralmente ficou abaixo de 1%.

Como acontece a transmissão?
A principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto com lesões na pele, secreções ou mucosas de pessoas infectadas.
O vírus também pode ser transmitido pelo beijo e durante relações sexuais. Apesar dessa possibilidade, a mpox não é classificada como uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica.
Outra forma de transmissão acontece por meio de gotículas respiratórias, embora esse tipo de contágio exija contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada.
Quais são os primeiros sinais da doença?
Os sintomas iniciais podem incluir febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.
Com a evolução da infecção, podem aparecer bolhas na pele, que posteriormente se transformam em lesões com pus e, depois, em crostas.
A doença costuma apresentar duração de duas a quatro semanas. O risco de transmissão praticamente desaparece quando todas as crostas caem e a pele está completamente cicatrizada.
Como é feito o tratamento?
Na maioria dos casos, o tratamento é direcionado ao alívio dos sintomas e à recuperação do paciente. São adotados cuidados para controlar a dor, a febre e tratar as lesões provocadas pela infecção.
Em situações consideradas graves, pode ser utilizado o antiviral tecovirimat.
Diante do aumento recente de confirmações no Espírito Santo e dos registros em outras regiões do país, a identificação dos sintomas, a procura por atendimento médico e o acompanhamento das orientações das autoridades de saúde são medidas importantes para evitar a disseminação da doença.
