Celebrado nesta última segunda-feira (25), o Dia Internacional da Tireoide chama atenção para uma glândula pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do corpo humano. Localizada na parte frontal do pescoço, a tireoide é responsável pela produção de hormônios que regulam funções importantes como metabolismo, frequência cardíaca, temperatura corporal, fertilidade, sono, humor e níveis de energia.
Especialistas alertam que alterações na glândula podem se desenvolver de maneira silenciosa, dificultando o diagnóstico nos estágios iniciais. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cerca de 60% da população brasileira poderá apresentar algum nódulo tireoidiano ao longo da vida, sendo as mulheres as mais afetadas — com risco até oito vezes maior em comparação aos homens.
Entenda o que é a tireoide e qual a função dela no organismo
A tireoide tem formato semelhante ao de uma borboleta e fica posicionada logo abaixo do chamado “pomo de Adão”. Mesmo pequena, ela funciona como uma espécie de central reguladora do organismo.

A glândula produz principalmente dois hormônios fundamentais:
- T3 (triiodotironina)
- T4 (tiroxina)
Esses hormônios influenciam diretamente diversas funções do corpo, entre elas:
- controle do peso corporal;
- funcionamento do intestino;
- temperatura do corpo;
- batimentos cardíacos;
- disposição e energia;
- memória e concentração;
- crescimento e desenvolvimento.
Quando há desequilíbrio na produção hormonal, o organismo inteiro pode sentir os impactos.
Hipotireoidismo e hipertireoidismo estão entre os problemas mais comuns
Entre as doenças mais frequentes relacionadas à tireoide estão o hipotireoidismo e o hipertireoidismo.
O hipotireoidismo acontece quando a glândula produz hormônios em quantidade insuficiente. Os sintomas costumam aparecer de forma gradual e incluem:
- cansaço excessivo;
- ganho de peso;
- queda de cabelo;
- pele seca;
- sono excessivo;
- intestino preso;
- desânimo constante.
Já o hipertireoidismo ocorre quando há produção excessiva de hormônios, acelerando o funcionamento do organismo. Os sinais mais comuns são:
- ansiedade;
- tremores;
- perda de peso;
- suor excessivo;
- irritação;
- insônia;
- coração acelerado.
Além dessas alterações hormonais, também podem surgir nódulos, inflamações, aumento da glândula — conhecido como bócio — e, em casos menos frequentes, câncer de tireoide.
Maioria dos nódulos é benigna
Apesar da preocupação gerada pela descoberta de um nódulo, especialistas reforçam que a maior parte dos casos não representa câncer e sequer provoca sintomas.
Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá, muitos pacientes apenas realizam acompanhamento periódico para monitorar possíveis alterações no tamanho ou comportamento do nódulo.
“Quando o nódulo causa sintomas compressivos, como dificuldade para engolir, ou incômodo estético, pode ser necessária uma intervenção.”
explicou o especialista.
Os chamados sintomas compressivos acontecem quando o crescimento do nódulo passa a pressionar estruturas próximas da região do pescoço, como o esôfago e a traqueia.
Tratamentos modernos reduzem necessidade de cirurgia
Entre os tratamentos mais recentes para nódulos benignos está a ablação por radiofrequência, considerada uma alternativa minimamente invasiva.
O procedimento é realizado com auxílio de ultrassom e utiliza uma agulha que emite calor diretamente no nódulo, destruindo as células da lesão sem necessidade de cirurgia tradicional.
Segundo especialistas, a técnica apresenta vantagens como:
- recuperação mais rápida;
- menor risco de sangramento;
- ausência de grandes cortes;
- redução de cicatrizes.
Com o passar do tempo, o próprio organismo absorve o tecido tratado.
Câncer de tireoide apresenta altas chances de cura
O câncer de tireoide é o tumor mais comum entre as doenças endócrinas, mas costuma apresentar altas taxas de cura quando identificado precocemente.
O tratamento varia conforme o estágio da doença e as características do tumor, mas a cirurgia ainda é a principal forma de abordagem. Dependendo do caso, pode ser necessária a retirada parcial ou total da glândula.
Em algumas situações, o tratamento é complementado com iodo radioativo, utilizado para eliminar resíduos de tecido tireoidiano ou possíveis metástases após a cirurgia.
Especialistas reforçam que exames preventivos e acompanhamento médico são fundamentais para identificar alterações precocemente e evitar complicações mais graves.
Exames ajudam no diagnóstico precoce
Os principais exames utilizados para avaliar a saúde da tireoide são:
- TSH;
- T3;
- T4;
- ultrassom da tireoide.
Em muitos casos, o tratamento é realizado apenas com medicação para controle hormonal, permitindo que o paciente mantenha qualidade de vida e uma rotina normal.
Os médicos também fazem um alerta importante: a tireoide não é uma doença. Todos os seres humanos possuem essa glândula. O correto é dizer que a pessoa apresenta um problema na tireoide quando existe alguma alteração no funcionamento dela.
