O Espírito Santo iniciou esta segunda-feira (23) sob forte comoção após a confirmação do assassinato da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa. A servidora pública foi morta a tiros dentro da própria residência, no bairro Caratoíra, em um crime atribuído ao então companheiro, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza.
Segundo autoridades municipais, a vítima foi atingida por cinco disparos na região da cabeça. Após o ataque, o autor também morreu no local, em circunstâncias apontadas como autoextermínio. O caso gerou indignação e tristeza, especialmente pelo histórico profissional de Dayse, que liderava políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica e familiar na capital.
Feminicídio interrompe marca histórica sem registros na capital
De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, Amarílio Boni, Vitória estava há aproximadamente 652 dias sem registrar casos de feminicídio. Esse período era considerado um avanço significativo nas estratégias de prevenção à violência contra mulheres.
A comandante desempenhava papel central nessas iniciativas, coordenando ações educativas e operacionais em comunidades, escolas e espaços públicos para incentivar vítimas a denunciar agressões e buscar apoio institucional.
Autoridades destacam que o assassinato representa não apenas a perda de uma liderança na área de segurança pública, mas também um impacto simbólico profundo na luta contra a violência de gênero.
Crime teria sido premeditado, apontam investigações iniciais
Informações preliminares indicam que o suspeito teria planejado a ação. Materiais encontrados em sua mochila — como faca, canivete, recipiente com álcool, carregadores de munição, alicate e isqueiro — reforçam a hipótese de premeditação.
Ainda segundo a apuração inicial, o homem teria acessado a residência utilizando a parte externa do imóvel e surpreendido Dayse enquanto ela dormia. Indícios observados pela perícia apontam que a comandante chegou a se levantar após o primeiro disparo, mas não teve possibilidade de reação.
Equipes da Polícia Científica estiveram no local para realização dos procedimentos técnicos, enquanto o caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher de Vitória.

Pai da vítima relata momentos de terror durante o ataque
O pai da comandante, que também estava na casa no momento do crime, contou ter acordado com o barulho do primeiro tiro. Segundo ele, o autor entrou já efetuando os disparos.
Com medo de também ser atingido, o aposentado permaneceu no quarto e só saiu após perceber que o agressor havia deixado o local. Ele acredita que a motivação esteja ligada à tentativa da filha de encerrar o relacionamento.
Relacionamento marcado por conflitos e episódios de violência
Familiares relataram que o casal mantinha um relacionamento há cerca de quatro anos, com histórico de discussões frequentes e situações de agressividade. Apesar disso, não houve registro formal de denúncias por parte da vítima.
Segundo o pai, em ocasiões anteriores ele chegou a intervir fisicamente para impedir agressões, inclusive em um episódio em que o suspeito teria tentado enforcar Dayse.
Primeira mulher a comandar a Guarda deixa legado na segurança pública
Dayse Barbosa fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o comando da Guarda Municipal de Vitória. Reconhecida pela postura firme e pela dedicação às causas sociais, ela também utilizava as redes sociais para disseminar informações sobre direitos das mulheres e canais de denúncia.
A comandante deixa uma filha de oito anos. Já o suspeito atuava na Polícia Rodoviária Federal desde 2020 e estava lotado na delegacia da corporação em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Prefeitura decreta luto oficial e presta homenagens
Em nota oficial, a Prefeitura de Vitória lamentou profundamente a morte da comandante, destacando sua trajetória marcada por ética, coragem e compromisso com a população.
Como forma de reconhecimento pelos serviços prestados, foi decretado luto oficial de três dias no município. A Guarda Municipal organizou um cortejo fúnebre e cerimônia de despedida no Cemitério de Santo Antônio.

Investigações seguem em andamento
As circunstâncias do crime continuam sendo investigadas pelas autoridades policiais, que buscam esclarecer todos os detalhes do caso.
A Polícia Rodoviária Federal também manifestou pesar pelas mortes e informou que está à disposição para colaborar com os trabalhos investigativos.
