A Polícia Científica do Espírito Santo confirmou, na manhã desta quinta-feira (05), que o corpo encontrado decapitado e carbonizado em um sítio na região de Meaípe, em Guarapari, pertence a Dante Brito Michelini, conhecido como “Dantinho”, de 75 anos. Ele foi um dos envolvidos no assassinato da menina Araceli Cabrera Sanchez, ocorrido em 1973, um dos crimes mais emblemáticos da história do país.
Segundo a Polícia Científica, a identificação foi realizada por meio de exame papiloscópico, técnica que analisa as cristas papilares da pele para identificação humana. O procedimento foi conduzido no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória.
Corpo foi identificado por exame papiloscópico
Em nota oficial, a Polícia Científica informou que o corpo é de um homem de 75 anos e que, apesar do avançado estado de decomposição e da carbonização, foi possível realizar a identificação com segurança por meio da papiloscopia.
O exame analisa impressões digitais, palmares ou plantares, método considerado preciso mesmo em casos de corpos danificados, desde que haja condições técnicas mínimas para coleta.
Família ainda não foi comunicada oficialmente
A reportagem do Folha Vitória procurou o advogado Adir Rodrigues, que representa um dos irmãos de Dantinho Michelini, para saber se a família já havia sido oficialmente comunicada sobre o resultado da perícia. Segundo ele, até o momento, os familiares ainda não receberam notificação formal da polícia.
Antes da confirmação oficial, parentes haviam comparecido ao IML para reconhecimento preliminar do corpo, mas aguardavam o laudo conclusivo devido ao estado em que o cadáver foi encontrado.
Corpo foi encontrado em casa incendiada no Sítio Pequeira
O corpo de Dantinho foi localizado na tarde da última terça-feira (03), dentro de uma residência destruída por um incêndio no Sítio Pequeira, onde ele morava sozinho há vários anos. O cadáver estava sem a cabeça, parcialmente carbonizado e em avançado estado de decomposição.
A descoberta ocorreu após uma funcionária do sítio, de 40 anos, procurar a Polícia Militar relatando que não tinha contato com o idoso desde o dia 7 de janeiro. Ao ir até a propriedade, ela encontrou portas e janelas quebradas e a casa destruída pelo fogo.
Dentro do imóvel, os policiais encontraram o corpo caído de bruços, entre os escombros do incêndio. Desde o início, a principal suspeita era de que se tratasse do próprio morador, hipótese agora confirmada pela perícia.
Família afirma que Dantinho vivia isolado
Antes da divulgação do laudo, a família Michelini divulgou nota informando que Dantinho vivia recluso e isolado no sítio desde a morte do pai, Dante de Barros Michelini. Segundo o advogado, os familiares não tinham conhecimento de ameaças ou conflitos recentes envolvendo o idoso.
Em entrevistas anteriores, Adir Rodrigues afirmou não acreditar que o assassinato tenha relação com o Caso Araceli, ocorrido há mais de 50 anos, e disse que a família aguardaria o avanço das investigações para compreender a motivação do crime.

Polícia Civil investiga autoria e motivação do crime
Com a confirmação da identidade da vítima, a Polícia Civil passa a concentrar esforços para esclarecer as circunstâncias da morte, apurar a dinâmica do crime e identificar possíveis autores.
Até o momento, não há informações sobre suspeitos, nem confirmação sobre a data exata da morte. A investigação segue sob sigilo.
Caso Araceli: crime marcou a história do Brasil
Araceli Cabrera Sanchez tinha 8 anos quando desapareceu, em 18 de maio de 1973, após sair de casa, no Bairro de Fátima, na Serra, para ir à escola, em Vitória. Dias depois, o corpo da menina foi encontrado em um matagal atrás do Hospital Infantil, com sinais de que havia sido drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e queimada.
O crime teve repercussão nacional e internacional e se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantil. A data do desaparecimento de Araceli deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Julgamento, absolvição e prescrição
Após investigações que reuniram mais de 12 mil páginas de processo e ouviram mais de 300 testemunhas, três homens foram denunciados: Dante Brito Michelini, seu pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Constanteen Helal.
Em 1980, Dantinho e Paulo Helal chegaram a ser condenados a 18 anos de prisão, enquanto Dante de Barros Michelini foi condenado a cinco anos por cumplicidade. No entanto, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Em novo julgamento, realizado em 1991, os três acusados foram absolvidos por falta de provas. O crime prescreveu em 1993, e ninguém foi responsabilizado judicialmente pela morte de Araceli.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo jornal Folha Vitória. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
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