Uma tragédia abalou moradores de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Thomas Oliveira Beling, de apenas 2 anos, morreu após ser levado três vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h do bairro Vila Rica. O caso ocorreu na última segunda-feira (19), mas só ganhou repercussão nesta sexta-feira (23), após apuração divulgada pelo portal G1.
A família acusa negligência médica, demora no atendimento e falta de equipamentos básicos na unidade, incluindo um cilindro de oxigênio. A Prefeitura de Aracruz e a Polícia Civil investigam o que aconteceu.
Relatos da família: “Total descaso”
Segundo a mãe do menino, Andreina Beling — que é técnica de enfermagem — Thomas começou a passar mal ainda na noite de domingo (18), apresentando irritação e dores durante toda a madrugada.
Primeira ida à UPA
Na manhã de segunda-feira (19), os pais buscaram atendimento pela primeira vez. Eles relatam que já na recepção houve descaso, e o caso não foi tratado como urgência.
A médica solicitou exames de sangue e urina, sendo que uma das coletas deveria ser realizada pelos próprios pais. De acordo com a família, o exame clínico feito na criança foi superficial.
Segunda ida: diagnóstico de virose
Horas depois, diante da piora e episódios de vômito, Thomas voltou à UPA. O médico de plantão fez uma avaliação rápida e prescreveu medicações para dor, vômito e febre. O diagnóstico apresentado foi de virose.
Terceira ida: negação de urgência e falta de oxigênio
Por volta das 19h30, o menino já não conseguia nem sustentar o próprio corpo. Mesmo assim, ao retornar à UPA, a família afirma que o pedido de atendimento imediato foi negado.
Segundo Andreina, o processo burocrático foi demorado, e quando o menino finalmente foi atendido, ele já tinha dificuldade para respirar.
Ela afirma ter implorado para que o filho fosse colocado no oxigênio, mas foi informada de que a unidade não possuía cilindro disponível na unidade.
Encaminhamento sem reanimação
Com o quadro agravado, Thomas foi encaminhado para a Fundação Hospital Maternidade São Camilo, também em Aracruz. A família relata que nenhuma tentativa de reanimação foi feita na UPA antes do transporte.
O menino chegou ao hospital já em parada cardiorrespiratória.
Em nota, o Hospital São Camilo afirmou que todos os protocolos de reanimação foram aplicados pela equipe de plantão, mas, apesar dos esforços, a criança não resistiu.
Posicionamento da Prefeitura de Aracruz
Por meio de nota oficial, a Prefeitura informou que realiza uma apuração rigorosa, assegurando que “todas as medidas necessárias serão adotadas com base em critérios técnicos, éticos e legais”.
A administração municipal declarou profundo pesar pela morte de Thomas e disse que a Secretaria de Saúde instaurou um Processo Administrativo e Disciplinar para investigar possíveis responsabilidades.
A Prefeitura aguarda o laudo da autópsia para determinar oficialmente a causa da morte.
Investigação da Polícia Civil
O caso também é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Aracruz. Por envolver uma criança, o procedimento corre em sigilo.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo portal G1, ao qual creditamos a apuração dos fatos. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
Agradecemos ao G1 pelo trabalho jornalístico e pela contribuição à disseminação da informação.
