Quase 70% dos municípios do Espírito Santo estão há mais de 500 dias sem registrar feminicídios. De acordo com dados do Mapa da Paz, do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), 53 das 78 cidades capixabas não tiveram ocorrências recentes desse tipo de crime. Entre elas, 14 municípios não registram feminicídios há pelo menos uma década, desde que o crime passou a ser tipificado no Brasil.
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de mulheres por razões de gênero, ou seja, quando a motivação do crime está relacionada ao fato de a vítima ser mulher. A tipificação entrou em vigor em 9 de março de 2015, com a sanção da Lei nº 13.104/2015.
Municípios há 10 anos sem feminicídios
As cidades que completaram pelo menos dez anos sem registros de feminicídio no Espírito Santo são:
- Alegre;
- Apiacá;
- Bom Jesus do Norte;
- Brejetuba;
- Dores do Rio Preto;
- Governador Lindenberg;
- Ibiraçu;
- Iconha;
- Mantenópolis;
- Muniz Freire;
- Ponto Belo;
- Presidente Kennedy;
- Santa Leopoldina;
- Vila Valério.
Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp)
Mais de 39 cidades sem ocorrências recentes
Além dessas, outros 39 municípios estão há mais de 547 dias sem registros do crime. Chamam atenção Vila Pavão e Vargem Alta, que ultrapassaram a marca de 3 mil dias sem feminicídios. Vila Pavão está há mais de nove anos sem registros, enquanto Vargem Alta soma pouco mais de oito anos.
Na Região Metropolitana, Vitória e Fundão também aparecem entre os destaques. A capital capixaba completou 600 dias sem feminicídios, enquanto Fundão alcançou 613 dias.
No Norte do Estado, Linhares e Aracruz acumulam 567 e 557 dias sem registros, respectivamente. Já no Sul, Castelo está há 598 dias sem ocorrências, e Guaçuí soma mais de quatro anos — 1.554 dias.
Redução no número de casos no Estado
Apesar de o ano de 2025 ter sido marcado por números elevados de feminicídios em âmbito nacional, o Espírito Santo apresentou uma redução de quase 15% nos registros em relação a 2024. Foram 34 casos, contra 39 no ano anterior.
Segundo a delegada gerente de Proteção à Mulher da Sesp, Michelle Meira, a queda está diretamente ligada aos investimentos em políticas públicas de prevenção e acolhimento às vítimas.
“A Patrulha Maria da Penha, de 2023 a 2025, dobrou a capacidade de visitas realizadas. Além disso, o projeto Homem que é Homem, da Polícia Civil, está avançando pelo interior do Estado e já alcança 28 municípios”.
destacou.
O projeto Homem que é Homem promove a reflexão e a responsabilização de autores de violência doméstica, com foco na redução da reincidência. Já as visitas da Patrulha Maria da Penha passaram de 10.630, em 2023, para 18.446, em 2025.
Rede de acolhimento às vítimas
Outro avanço citado pela Sesp é a ampliação das chamadas “Salas Marias”. Atualmente, 16 das 18 delegacias regionais do Espírito Santo contam com esses espaços, que oferecem atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência. O acolhimento ocorre, inclusive, por meio de chamadas de vídeo com delegados do sistema de Teleflagrante.
A assistente social da Polícia Civil, Renata Leal Santana, explica que a iniciativa busca garantir apoio integral às vítimas:
“O objetivo é inserir essas mulheres na rede estadual de proteção, oferecendo suporte psicológico e acesso a políticas públicas de saúde, educação, assistência social e habitação, para que elas tenham condições reais de romper com o ciclo da violência”.
disse.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo portal G1, ao qual creditamos a apuração dos fatos. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
Agradecemos ao G1 pelo trabalho jornalístico e pela contribuição à disseminação da informação.
