A Justiça do Espírito Santo manteve preso o soldado da Polícia Militar Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, após converter em preventiva a prisão em flagrante realizada no último sábado (21), em Jardim Camburi, bairro de Vitória. O militar é acusado de agredir a companheira, também soldado da corporação, e de desferir um soco contra um sargento durante a intervenção policial.
A decisão foi proferida na audiência de custódia realizada na manhã de segunda-feira (23) pela juíza Raquel de Almeida Valinho. Na fundamentação, a magistrada destacou a gravidade concreta dos fatos e o histórico de violência atribuído ao suspeito.
“Verifico que a manutenção da liberdade do autuado revela-se, por ora, temerária, mostrando-se adequada e necessária a decretação da prisão preventiva, eis que não vislumbro medida cautelar diversa suficiente para resguardar a integridade física e psicológica da vítima (…) bem como que o autuado possui histórico de violência doméstica, conforme narrado pela ofendida”.
registrou na decisão.
A reportagem do jornal A Gazeta tenta localizar a defesa do militar e mantém o espaço aberto para manifestação.
Confusão ocorreu após bloco de carnaval em Jardim Camburi
Segundo o boletim unificado, a ocorrência foi registrada no estacionamento de um atacarejo da região após um bloco de carnaval. A vítima relatou que estava dentro de um veículo quando foi retirada à força pelas pernas pelo soldado, caiu de costas no chão e, em seguida, levou um tapa no rosto.
Testemunhas e seguranças do estabelecimento intervieram para conter o agressor até a chegada da equipe da Polícia Militar.
De acordo com a corporação, a guarnição foi acionada para atender a uma briga generalizada. No local, os policiais identificaram dois soldados envolvidos e uma terceira pessoa que tentava impedir as agressões.
“Ao tentar intervir na situação, foi dada ordem de parada ao soldado Marcelo, que se encontrava extremamente alterado, demonstrando elevado desrespeito para com a guarnição de serviço, empurrando os militares na tentativa de continuar agredindo a soldado”.
relataram os policiais.
Ainda conforme o registro, o militar reagiu à abordagem e atingiu um sargento com um soco no rosto, quebrando os óculos do agente. Diante da resistência, foi necessário o uso de bastão e spray de pimenta para contê-lo. A PM informou que ele também teria proferido xingamentos e ameaças de morte contra colegas antes de receber voz de prisão. Relembre o caso.
Vídeo: militar é preso após agredir namorada e dar soco em sargento durante ocorrência em Vitória
Autuação inclui crimes com base na Lei Maria da Penha
Em nota, a Polícia Civil informou que o soldado foi autuado em flagrante por lesão corporal, injúria e ameaça com base na Lei Maria da Penha, além de ameaça, resistência e desacato.
Após os procedimentos de praxe, ele foi encaminhado ao presídio militar localizado no Quartel do Comando-Geral da PM, no bairro Maruípe, também na Capital.
Histórico de agressões e ameaças
À Polícia Militar, a vítima afirmou que já havia se afastado do soldado anteriormente e que ele tentava contato de forma insistente. Segundo o relato, ao reencontrá-la no sábado, o militar a retirou de maneira brusca do carro e iniciou as agressões.
A policial relatou ainda que as ameaças seriam frequentes e que o suspeito exerceria controle sobre sua vida financeira mediante intimidações. Conforme o boletim, ele teria ameaçado atirar na mão e no joelho da vítima, mensagens que teriam sido registradas por meio de conversas em aplicativo.
Governador classifica caso como “crime” e “covardia”
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, classificou o episódio como “crime” e “covardia” em publicação nas redes sociais no domingo (22). O chefe do Executivo estadual informou que determinou a imediata investigação do caso.
Corregedoria vai instaurar Inquérito Policial Militar
A Polícia Militar informou que a vítima solicitou medida protetiva de afastamento. A corporação anunciou ainda que a Corregedoria instaurará um Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração rigorosa dos fatos, com posterior encaminhamento ao Ministério Público Militar e à Auditoria de Justiça Militar.
“Os possíveis enquadramentos no Código Penal Militar serão avaliados no curso das investigações. Havendo comprovação de irregularidades, o policial poderá sofrer as sanções administrativas e penais previstas em lei, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação”.
destacou a PM em nota.
Entidade de classe repudia violência
A Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Espírito Santo (Aspra-ES) manifestou pesar diante do episódio e reiterou posicionamento contrário a qualquer ato de violência, especialmente contra mulheres.
Em nota, a entidade afirmou que os policiais envolvidos não integram o quadro de associados, mas declarou confiança na atuação das autoridades para a apuração dos fatos.
Caso repercute nas redes sociais
A gravidade da ocorrência gerou ampla repercussão no Espírito Santo, com manifestações de internautas nas redes sociais. O caso reacendeu o debate sobre violência doméstica, conduta de agentes públicos e mecanismos de controle interno nas forças de segurança.
As investigações seguem em andamento.
Créditos de apuração e reportagem
A presente reportagem foi elaborada com base nas informações apuradas e publicadas pelo jornal A Gazeta. Nossa equipe utilizou os dados obtidos por esse veículo como referência principal para a construção desta reportagem.
Agradecemos a toda equipe pelo trabalho jornalístico e pela contribuição à disseminação da informação.
