A Polícia Civil do Espírito Santo informou, na manhã desta quarta-feira (11), que o suspeito de matar o empresário Dante Michelini, conhecido como “Dantinho”, confessou o crime durante interrogatório no Centro de Detenção Provisória de Guarapari (CDPG). Willian Santos Manzoli, de 29 anos, indicou ainda o local onde havia descartado a cabeça da vítima, encontrada horas depois em um canal do município.
O corpo de Dante foi localizado no último dia 3 de fevereiro de 2026, decapitado e carbonizado, em meio aos escombros de uma casa incendiada na propriedade rural onde morava, em Meaípe, Guarapari. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Corpo foi encontrado decapitado em casa incendiada
Segundo a Polícia Militar, o crime foi descoberto após uma mulher de 40 anos procurar a corporação ao encontrar a residência destruída, com portas e janelas quebradas. No interior do imóvel, os policiais localizaram o corpo sem a cabeça.
De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, foram identificadas duas perfurações por arma branca na região do tórax. A decapitação chamou a atenção dos investigadores pelo tipo de corte, considerado tecnicamente preciso.
A perícia foi acionada e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames complementares.
Cabeça foi localizada em saco plástico em canal
Após a confissão do suspeito, equipes da Polícia Civil, com apoio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros, realizaram buscas em um canal de Guarapari. A cabeça da vítima foi encontrada dentro de um saco plástico submerso na água.
Segundo os investigadores, a indicação do local partiu do próprio suspeito durante o depoimento. O material foi recolhido e encaminhado para análise pericial.
Suspeito relatou briga e motivação por vingança
De acordo com o delegado Franco Malini, da DHPP de Guarapari, o suspeito estava dormindo em uma parte do sítio sem autorização da vítima. Ele relatou que foi acordado por Dante e expulso da propriedade após uma discussão e luta corporal.
Ainda segundo o depoimento, o investigado teria retornado ao local pela mata e aguardado a saída do empresário. Um novo confronto teria ocorrido, culminando na morte e na posterior decapitação.
A Polícia Civil informou que o suspeito já estava preso por descumprimento de medida protetiva e que ele se mantinha com trabalhos informais na cidade. Natural da Bahia, ele vivia em situação precária e dormia em locais improvisados.
Sítio era ponto de passagem frequente
As investigações apontam que a propriedade rural, embora cercada, era utilizada como passagem por moradores da região. O delegado Fabrício Dutra afirmou que pessoas transitavam pelo terreno com frequência, inclusive corretores de imóveis, uma vez que havia interesse da família na venda do local.
Testemunhas que frequentavam o sítio, incluindo uma mulher responsável por serviços de limpeza e um homem ligado a ela, já prestaram depoimento. Familiares da vítima também deverão ser ouvidos.
Possíveis motivações seguem sob análise
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, declarou que todas as linhas de investigação estão sendo consideradas. Entre elas, está a eventual relação com o histórico da vítima no caso Araceli, ocorrido em 1973, em Vitória.
Dante Michelini foi um dos investigados no assassinato da menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos. Ele chegou a ser condenado, mas foi inocentado posteriormente. A polícia afirma que, apesar do tempo decorrido, a hipótese não pode ser descartada neste momento.

Hipótese de latrocínio foi descartada
Inicialmente, a polícia considerou a possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte), uma vez que objetos pessoais da vítima não foram localizados durante a primeira vistoria. No entanto, os itens foram posteriormente encontrados sob os escombros da residência incendiada.
Com isso, a linha investigativa de crime patrimonial foi descartada, e o foco permanece na motivação apresentada pelo suspeito e em outras circunstâncias que possam ter contribuído para o homicídio.
A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento e que novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias para esclarecer todos os detalhes do crime.
