Um indivíduo de 31 anos foi preso na tarde deste último sábado (30), em Cariacica, suspeito de estuprar a própria sobrinha de forma continuada por cinco anos — entre os seus 6 e 11 anos de idade — em Mantenópolis, município localizado no Noroeste do Espírito Santo. A prisão preventiva, por tempo indeterminado, foi motivada não apenas pelos crimes de estupro de vulnerável, mas também por uma ameaça recente e direta: o suspeito interrompeu uma videochamada da vítima com a avó materna para dizer que “iria acabar com a sua vida” caso ela prestasse depoimento à Justiça. O nome do homem não será divulgado pela polícia para preservar a identidade da menor, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Cinco anos de abuso no ambiente doméstico
De acordo com a Polícia Civil, os elementos colhidos durante a investigação revelam um histórico de abusos de extrema gravidade. O suspeito teria se valido da relação de parentesco e da confiança familiar para cometer os crimes dentro do próprio ambiente doméstico, impondo à criança severa chantagem e intensa opressão psicológica ao longo de todo o período.
Segundo a corporação, os abusos teriam se iniciado quando a menina tinha apenas seis anos de idade e se estendido de forma continuada até os seus 11 anos, deixando, nas palavras da própria Polícia Civil, “sequelas imensuráveis na vida da criança”. O suspeito já possuía prisão preventiva decretada pela Vara Única de Mantenópolis pelo crime de estupro de vulnerável quando foi localizado e detido na região metropolitana da capital capixaba.
A ameaça que levou à prisão imediata
Mesmo com o processo judicial em andamento, o acusado cometeu um novo e gravíssimo ato que acelerou sua captura. Durante uma ligação por vídeo que a adolescente realizava com a avó materna, o suspeito — que acompanhava a transmissão de forma oculta — invadiu inesperadamente a conversa e proferiu ameaças diretas contra a jovem.
Segundo a Polícia Civil, o homem afirmou textualmente que “iria acabar com a sua vida” caso ela comparecesse à Justiça para prestar depoimento. A intenção era clara: silenciar a vítima e obstruir o curso do processo judicial. A atitude resultou em um novo pedido do Ministério Público, que pugnou pela decretação imediata da prisão preventiva, prontamente acolhida pela Vara Única de Mantenópolis.
Além do estupro de vulnerável, o suspeito passa a responder também pelo crime de coação no curso do processo.
Ação integrada entre três delegacias resultou na captura do sujeito
A prisão foi executada por meio de uma operação conjunta coordenada pela Delegacia de Polícia de Mantenópolis, vinculada à Superintendência Regional Norte (SPRNO), com o apoio direto da Delegacia de Jaguaré e da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Linhares. O suspeito foi localizado em Cariacica, onde foi abordado, submetido aos procedimentos de praxe e encaminhado ao sistema prisional.
Em nota, a Polícia Civil destacou o caráter integrado da operação como reflexo do compromisso institucional com a proteção de crianças e adolescentes.
“A ação integrada das delegacias da Polícia Civil reforça o compromisso intransigente da instituição na proteção integral da criança e do adolescente e na repressão qualificada a crimes de tamanha perversidade e desvalor.”
informou a corporação.
Identidade preservada por lei
Por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o nome do suspeito não será divulgado pelas autoridades, medida adotada com o objetivo de impedir qualquer identificação indireta da vítima, que permanece menor de idade. A adolescente segue sob proteção e acompanhamento das autoridades competentes.
A prisão preventiva, sem prazo definido para término, mantém o acusado encarcerado enquanto o processo segue seu curso na Comarca de Mantenópolis.
