Uma chacina registrada na tarde do último sábado (23), no bairro Flexal II, em Cariacica, deixou quatro homens mortos e um ferido após um ataque a tiros promovido por criminosos armados. Segundo a Polícia Civil, as vítimas trabalhavam na limpeza de um terreno quando foram surpreendidas pelos executores. Três dos mortos pertenciam à mesma família e, de acordo com as investigações, todos eram conhecidos na região por não aceitarem imposições do tráfico de drogas.
As vítimas fatais foram identificadas como Hélio da Silva Souza, de 58 anos; o filho dele, Gean de Castro Souza, de 39 anos; o genro de Gean, Ruan Carlos da Silva Ribeiro e Carlos Daniel Rocha dos Santos, amigo da família. Um quinto homem, irmão de Gean, foi baleado no peito, conseguiu fugir pela mata e sobreviveu após ser socorrido e submetido a uma cirurgia. Nossa reportagem publicou a matéria após o ocorrido. Confira abaixo e relembre os detalhes do caso.
Vídeo mostra vítimas trabalhando antes do ataque
Imagens que circulam nas redes sociais mostram os homens trabalhando no terreno pouco antes da execução. O vídeo, enviado à reportagem do Espírito Santo Qap, registra as vítimas realizando o corte de árvores e a limpeza da área momentos antes da chegada do grupo armado. Nossa equipe teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo Instagram ES na Fita:
Emboscada cabulosa
Segundo testemunhas, todos estavam concentrados no serviço quando os criminosos apareceram atirando. O sobrevivente conseguiu escapar correndo pela mata, deixando um rastro de sangue até ser localizado e socorrido.
O caso provocou forte comoção no Espírito Santo e intensificou a pressão por respostas rápidas das forças de segurança.
Polícia aponta ligação do crime com facção criminosa
As investigações apontam que a chacina pode ter sido motivada por um conflito antigo envolvendo integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), apontada como responsável pelo tráfico na região.
De acordo com a Polícia Civil, as vítimas eram conhecidas por rejeitarem a presença e as imposições do tráfico no bairro. A principal suspeita é de que um dos homens assassinados tenha se recusado a reverenciar criminosos ligados à facção pouco antes do ataque.
O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), Luiz Gustavo Ximenes, explicou que o crime teria sido planejado horas antes da execução.
“À princípio, dois indivíduos fizeram levantamento na parte da manhã para saber se as vítimas realmente estavam no local e, depois, quatro indivíduos chegaram no local e efetuaram os disparos.”
afirmou o delegado.
Dois suspeitos foram presos
Até a manhã desta segunda-feira (25), dois suspeitos já haviam sido presos durante as investigações.
Um deles foi identificado como Caio Mota, de 28 anos, apontado pela Polícia Civil como um dos homens que participaram diretamente dos disparos. Ele foi preso na noite de sábado e com ele, os policiais apreenderam uma arma de fogo, que foi encaminhada para perícia.
O segundo preso é Daniel Inácio Schinidel Bernardo, de 31 anos. Segundo a polícia, ele atua no tráfico da região onde ocorreu o massacre. Apesar de não ter sido identificado como um dos executores, a possível participação dele na ação criminosa ainda é investigada.
A Polícia Civil segue em busca de outros envolvidos.

Família já havia sido alvo do tráfico anteriormente
Segundo o delegado Luiz Gustavo Ximenes, a relação de conflito entre a família de Hélio e criminosos da região já vinha de anos anteriores.
Em 2021, um dos filhos de Hélio teria sido assassinado por traficantes após familiares impedirem a instalação de um ponto de venda de drogas na região conhecida como Morro da Boa Vista.
Conforme relatos obtidos pela polícia, a família passou a demonstrar oposição aberta às atividades criminosas desde então, o que teria aumentado a tensão com integrantes da facção.
Uma das linhas de investigação considera que o ataque tenha sido uma demonstração de força e submissão imposta pelo tráfico local.
Moradores relataram à Polícia Militar que criminosos exigem que moradores “baixem a cabeça” ao cruzarem com integrantes da facção. A suspeita é de que a recusa de uma das vítimas em obedecer à ordem tenha desencadeado o massacre.
Vítimas eram trabalhadores conhecidos na comunidade
De acordo com a PM, nenhum dos homens assassinados possuía envolvimento com atividades criminosas.
Hélio era conhecido pela criação de gado e cavalos na região. O filho, Gean, era chamado pelos moradores de “Gean Leiteiro”, devido ao trabalho com vacas leiteiras desde a infância.
Já Ruan trabalhava como pedreiro e estava no terreno ajudando na limpeza junto com Carlos Daniel, que também auxiliava no corte das árvores.
Todos foram surpreendidos sem chance de defesa.

Polícia pede ajuda da população
A Polícia Civil informou que denúncias anônimas podem ajudar na identificação e prisão dos demais envolvidos na chacina.
Informações podem ser repassadas por meio do Disque-Denúncia 181. Segundo a corporação, o sigilo é absoluto.
