Um desaparecimento registrado em março deste ano terminou revelando um crime brutal investigado como sequestro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver no Espírito Santo. A Polícia Civil prendeu dois vigilantes patrimoniais suspeitos de participar da morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, de 35 anos, um homem em situação de rua que desapareceu no bairro Praia do Suá, em Vitória. O corpo da vítima foi encontrado enterrado em uma área de vegetação de eucalipto nas proximidades do novo contorno de Jacaraípe, no município da Serra.
Segundo as investigações, pelo menos oito homens participaram do crime, que teria sido motivado por uma espécie de “justiça com as próprias mãos”. Os suspeitos são funcionários de uma empresa privada de vigilância patrimonial que atua em condomínios da região.
A ação policial ocorreu durante a Operação “Invisíveis”, deflagrada pela Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD) no último dia 21 de abril.
Câmeras registraram momento do sequestro
Imagens de videomonitoramento analisadas pela Polícia Civil mostram o momento em que Marcos Vinícius é rendido na Rua Ulisses Sarmento, na Praia do Suá, durante a madrugada do dia 16 de março.
Nas gravações, um dos suspeitos aparece apontando uma arma para a vítima enquanto outros homens participam da abordagem. Em seguida, Marcos é colocado dentro de um veículo utilizado pela própria empresa de vigilância.
Segundo a investigação, a vítima foi levada até o município da Serra, onde acabou espancada até a morte.
Os vídeos do sequestro e também do local onde o corpo foi encontrado foram divulgados pela Polícia Civil e repercutiram nas redes sociais pela violência do caso. Nossa equipe teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo Instagram ES na Fita:
Grupo atuava como rondistas em condomínios
De acordo com o delegado Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, os suspeitos trabalhavam como rondistas, responsáveis por monitoramento e rondas em condomínios atendidos pela empresa de vigilância privada.
As investigações apontam que o grupo passou a agir contra pessoas em situação de rua consideradas “problemáticas” nas regiões atendidas.
“Esses rondistas, ao menor sinal de um crime patrimonial ou algo que coloque em perigo aquele condomínio, o dever deles é acionar a Polícia Militar. Mas neste caso, a investigação demonstrou que eles de fato fizeram justiça com as próprias mãos.”
afirmou o delegado Tarcísio Otoni.
Segundo a Polícia Civil, Marcos Vinícius possuía antecedentes relacionados a furtos na região.
Vítima já teria sido agredida anteriormente
Durante as investigações, a polícia descobriu que Marcos Vinícius já havia sido vítima de agressões praticadas pelo mesmo grupo cerca de uma semana antes do desaparecimento.
“O pessoal achou que ninguém daria falta de Marcos Vinícius.”
destacou o delegado durante coletiva.
A linha investigativa aponta que os suspeitos costumavam retirar pessoas em situação de rua de áreas próximas aos condomínios e levá-las para locais afastados.

Mãe da vítima denunciou desaparecimento
O desaparecimento de Marcos Vinícius começou a ser investigado após a mãe dele procurar a polícia.
Segundo a investigação, ela costumava levar marmitas diariamente para o filho e estranhou ao não encontrá-lo no dia seguinte ao crime.
A companheira da vítima, que também vivia em situação de rua, contou à mãe o que havia acontecido na madrugada do desaparecimento.
“A investigação demonstra que pelo menos oito pessoas participaram da morte e quatro da ocultação de cadáver. Esse fato que começou como desaparecimento evoluiu para um sequestro e posteriormente para um homicídio qualificado com associação criminosa e ocultação de cadáver.”
explicou Tarcísio Otoni.
Corpo foi encontrado enterrado na Serra
Durante a Operação “Invisíveis”, os policiais localizaram o corpo de Marcos Vinícius enterrado em uma área de mata com vegetação de eucalipto, próxima ao novo contorno de Jacaraípe, no município da Serra.
Além das prisões, a Polícia Civil apreendeu três motocicletas e três simulacros de arma de fogo que teriam sido utilizados no momento da abordagem da vítima.
As imagens dos materiais apreendidos também foram divulgadas pelas autoridades. Nossa equipe também teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo Instagram ES na Fita:
Empresa é investigada, mas não seria envolvida diretamente
A empresa de vigilância patrimonial para a qual os suspeitos trabalhavam foi comunicada sobre a investigação.
Segundo a Polícia Civil, até o momento não há indícios de que a direção da empresa tivesse conhecimento das ações praticadas pelos funcionários.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
