A Justiça do Espírito Santo determinou a permanência do traficante Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como “Marujo”, no sistema prisional federal por mais três anos. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Viana e mantém o detento na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde ele está custodiado desde abril de 2024. Considerado de alta periculosidade e liderança ativa do crime organizado, o investigado seguirá sob regime de segurança máxima até, pelo menos, 2029.
Decisão atende pedido do Ministério Público
A prorrogação da permanência de Marujo no sistema federal ocorre após solicitação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O prazo anterior para retorno ao Espírito Santo venceria no próximo dia 29, mas a Justiça acatou o pedido com base na avaliação de que o detento representa risco elevado à ordem pública.
De acordo com o MP, trata-se de um criminoso com forte influência dentro da organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), sendo responsável por ordenar ações violentas, controlar o tráfico de drogas e coordenar a estrutura da facção.
Histórico criminal e atuação no tráfico
Antes da prisão, Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, figurava entre os criminosos mais procurados do Espírito Santo e também integrava listas nacionais de alta periculosidade.
Ele foi capturado em março de 2024, durante uma operação policial realizada pela manhã — horário em que, segundo as investigações, costumava descansar. Contra ele, havia seis mandados de prisão em aberto por crimes como homicídio, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
Inicialmente, Marujo foi levado para a Penitenciária de Segurança Máxima 2, no Complexo de Viana, sendo posteriormente transferido ao sistema federal por decisão judicial.

Liderança no PCV e controle de territórios
As investigações apontam que Marujo exercia papel central na liderança do tráfico de drogas no Complexo da Penha, em Vitória, além de integrar a cúpula do PCV, organização com atuação em bairros como Bonfim, São Benedito, Consolação, Gurigica entre outros.
Segundo o Ministério Público, mesmo com a transferência de outras lideranças para presídios federais, a organização criminosa se manteve ativa e reorganizada, operando por meio de intermediários.
“Há indícios de que, caso retornasse ao Estado, Marujo poderia retomar o controle direto da facção.”
apontam os autos do processo.
Nova condenação e crimes de extrema violência
Em novembro do ano passado, Marujo recebeu uma nova condenação criminal, com pena superior a 30 anos de reclusão. O crime envolve extrema violência, incluindo a decapitação de um rival.
Esse histórico reforçou o entendimento da Justiça e das autoridades de segurança sobre a necessidade de sua permanência em unidade federal de segurança máxima.
Reorganização criminosa e risco de novos ataques
O MPES destacou ainda que, após a Operação Armistício, realizada em 2021, cinco lideranças do PCV foram transferidas para presídios federais em Rondônia — entre elas João de Andrade, Carlos Alberto Furtado da Silva, Geovane de Andrade Bento, Geovani Otacílio de Souza e Pablo Bernardes.
Mesmo com essas medidas, a facção continuou atuando e se reestruturando, o que acende o alerta das autoridades para a manutenção do isolamento de lideranças.
Novo integrante transferido e escalada de violência
Outro nome ligado ao grupo, Cleuton Gomes Pereira, conhecido como “Frajola”, foi transferido recentemente para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), também a pedido do Gaeco.
Segundo investigações, a área de atuação de Frajola — na Região 5 de Vila Velha — tem sido palco de disputas violentas entre facções rivais, com registros de diversos homicídios.
Entre os planos identificados pelas autoridades está a criação de um “núcleo de inteligência” para localizar e executar integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), facção com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Permanência fora do ES é considerada estratégica
A manutenção de Marujo fora do Espírito Santo é vista pelas autoridades como medida essencial para enfraquecer o comando da organização criminosa e reduzir a influência direta do traficante nas atividades ilícitas.
Ele permanece à disposição da Justiça no sistema penitenciário federal, sob rígido controle e isolamento.
