Uma moradora do Espírito Santo perdeu mais de R$ 500 mil em plataformas de apostas on-line após desenvolver ludopatia, transtorno reconhecido pela compulsão por jogos de azar. Segundo familiares, o dinheiro seria utilizado para quitar uma casa, mas acabou sendo consumido pelas apostas ao longo do tempo. Para preservar a identidade da paciente, o nome e o bairro onde ela mora não serão divulgados.
O caso acende um alerta sobre os impactos que o vício em jogos pode provocar na vida financeira, emocional e familiar. De acordo com pessoas próximas, a compulsão começou de forma discreta, por meio de jogos acessados pelo celular, até evoluir para um quadro que exigiu acompanhamento especializado.
Vício começou de forma silenciosa
Conforme relato de uma familiar, os primeiros acessos às plataformas pareciam apenas uma forma de entretenimento. Com o passar do tempo, porém, a frequência das apostas aumentou e passou a dominar a rotina da mulher.
Hoje, segundo a família, a dependência interfere até mesmo nos momentos de descanso.
“Ela diz que continua ouvindo os sons dos jogos até quando está tomando banho ou tentando dormir.”
contou uma familiar.
Ainda de acordo com o relato, a compulsão fez com que outras prioridades fossem deixadas de lado, afetando tanto a vida pessoal quanto a estabilidade financeira da família.
Jogos utilizam elementos que chamam a atenção dos usuários
A familiar afirma que muitos aplicativos de apostas utilizam personagens, animações coloridas e nomes chamativos, características que podem tornar a experiência mais atrativa e dificultar a percepção dos riscos, principalmente no início.
“Tem aviãozinho, tigrinho, gatinho… Sem nem perceber, a pessoa acaba caindo no vício. Parece algo inofensivo, mas deixa de ser.”
relatou.
Ela explica que um dos maiores desafios é identificar o momento em que a diversão deixa de ser ocasional e passa a representar um comportamento compulsivo.
“Não é como o álcool ou outras drogas. A pessoa passa horas no celular e você pensa que está nas redes sociais ou apenas distraída. É muito difícil perceber que existe um comportamento compulsivo, porque o celular faz parte da rotina de todo mundo.”
Segundo a família, em determinados momentos a necessidade de continuar apostando se tornou mais importante do que atividades básicas do dia a dia.
Ferramenta permite bloqueio voluntário das apostas
Para pessoas que desejam interromper o acesso às plataformas de apostas regulamentadas, o Governo Federal disponibiliza um sistema de autoexclusão por meio do portal Gov.br.
A ferramenta permite que o próprio usuário solicite o bloqueio do acesso às empresas autorizadas, escolha o período em que ficará impedido de apostar e deixe de receber publicidade relacionada a esse tipo de serviço.
A medida busca auxiliar pessoas que reconhecem dificuldades para controlar o comportamento diante das apostas.
Especialistas alertam para a importância do jogo responsável
As plataformas de apostas regulamentadas orientam que seus serviços sejam utilizados de forma responsável e apenas como entretenimento, alertando que não representam uma forma de obtenção de renda ou enriquecimento.
Especialistas também recomendam que pessoas que percebam perda de controle sobre as apostas procurem ajuda profissional o quanto antes, já que a ludopatia pode causar prejuízos financeiros, emocionais e familiares quando não tratada.
O caso registrado no Espírito Santo reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais da compulsão e buscar apoio antes que o problema se agrave.
