Uma denúncia acompanhada por vídeos chocantes resultou na prisão em flagrante de um homem de 60 anos, suspeito de capturar e matar gatos com golpes de madeira na localidade de Costa Pereira, zona rural de Marechal Floriano, na Região Serrana do Espírito Santo. A ação ocorreu após imagens do crime serem encaminhadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos contra Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), que auxiliou nas investigações e na identificação dos envolvidos.
Além da prisão por maus-tratos contra animais, o investigado também foi autuado por manter um animal silvestre em cativeiro de forma irregular. Um segundo homem apontado como participante dos crimes ainda não foi localizado e segue sendo procurado pelas autoridades.
Vídeos revelaram a dinâmica dos maus-tratos
As gravações entregues à CPI mostram o momento em que um dos gatos fica preso em uma armadilha improvisada. Em seguida, o suspeito aparece utilizando um pedaço de madeira para agredir o animal até a morte.
Outro vídeo também registra o homem explicando como confeccionava os dispositivos usados para capturar os felinos. Segundo a investigação, as armadilhas eram montadas com caixas plásticas, gravetos e cordas, funcionando como uma espécie de arapuca improvisada para impedir a fuga dos animais.
As imagens repercutiram amplamente nas redes sociais e provocaram indignação pela violência empregada contra os animais. Nossa equipe teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo Instagram ES na Fita:
Força-tarefa identificou os suspeitos
Após receber as denúncias, a CPI dos Maus-Tratos contra Animais organizou uma força-tarefa, por determinação da presidente da comissão, a deputada estadual Janete de Sá (PSB). A equipe esteve na propriedade rural onde os crimes teriam ocorrido e identificou dois funcionários de uma granja como suspeitos de capturar e matar os gatos.
Um deles, identificado como Valcir Coelho, foi localizado e conduzido à Delegacia Regional de Marechal Floriano. O segundo investigado conseguiu deixar o local antes da chegada das equipes e continua foragido.
De acordo com os relatos obtidos durante a operação, o homem preso afirmou que matava os gatos porque os animais estariam atacando pintinhos criados na granja. Para a CPI, entretanto, a justificativa não encontra respaldo legal e não reduz a gravidade dos crimes.
Deputada promete rigor nas investigações
A presidente da CPI, deputada Janete de Sá, afirmou que a comissão acompanhará todo o andamento das investigações até que os responsáveis sejam responsabilizados pela Justiça.
“Não existe, sob nenhuma hipótese, justificativa para espancar um animal até a morte por um motivo tão torpe e mesquinho. O que vimos nessas imagens é de uma crueldade inadmissível, que fere não apenas a legislação, mas o bom senso e a humanidade. A CPI dos Maus-Tratos foi criada justamente para tirar esses agressores da sombra da impunidade. Não daremos trégua até que o segundo suspeito também seja capturado e responda perante a Justiça. Pela Lei Sansão, o lugar de quem comete uma atrocidade dessas é atrás das grades.”
declarou a parlamentar.
Operação também encontrou ave silvestre em cativeiro
Durante as diligências realizadas na residência do investigado preso, agentes da CPI e policiais civis encontraram indícios de outro crime ambiental.
No imóvel foram apreendidos um pássaro da espécie coleiro mantido sem anilha de identificação, duas gaiolas e um alçapão preparado para capturar novas aves silvestres.
O agente de investigação da CPI, Juarez Lima, destacou que a atuação da comissão continuará em diferentes regiões do Espírito Santo.
“Viemos cumprir a determinação da deputada Janete de Sá para elucidar esse crime bárbaro. Prendemos o Valcir e também flagramos essa ave silvestre presa na casa dele. O recado da CPI é claro para todo o Espírito Santo: se praticar maus-tratos, nós vamos atrás e nós vamos te pegar. Não adianta fugir.”
afirmou.
O vereador Diogo Endlich, presidente da Associação dos Animais de Rua (Amar), também ressaltou a importância da atuação conjunta entre a Câmara Municipal, a CPI e a Polícia Civil para identificar os suspeitos e iniciar a responsabilização criminal.
Suspeito responderá por dois crimes
O homem foi autuado em flagrante por maus-tratos contra animais, conforme prevê a Lei Federal nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão. A legislação estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda de animais.
Além disso, ele também responderá por manter animal silvestre em cativeiro, conforme previsto na Lei de Crimes Ambientais.
Enquanto isso, a Polícia Civil segue realizando diligências para localizar o segundo suspeito apontado nas investigações.
