O detento Valmir Santana Ribeiro, de 39 anos, condenado a 67 anos de prisão pelo assassinato de um casal de idosos em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, foi encontrado morto nesta quarta-feira (23) dentro da Penitenciária Regional do município.
Valmir cumpria pena pelos assassinatos de Cacilda Vetoraci Duarte, de 77 anos, e Luiz Geraldo Duarte, de 80, pais da esposa do ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho. O casal foi morto em outubro de 2024, dentro do hotel pertencente às próprias vítimas.
Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), a ocorrência é tratada inicialmente como suicídio. A unidade prisional realizou os procedimentos previstos, comunicou a família e acionou a Polícia Civil, que ficou responsável pela apuração das circunstâncias da morte.
Detento já havia passado pelo sistema prisional
Valmir já havia sido preso anteriormente e permaneceu no sistema prisional entre dezembro de 2019 e maio de 2024, por outros crimes.
Meses depois de deixar a prisão, ele voltou a ser detido em razão dos assassinatos ocorridos no Hotel Duarte. Desde outubro de 2024, permanecia na Penitenciária Regional de Cachoeiro de Itapemirim.
Pelo crime, Valmir foi condenado a 67 anos de prisão. A companheira dele na época, Adriana de Souza Santos, de 37 anos, também foi presa e condenada.
Somadas, as penas impostas aos dois chegaram a 132 anos de prisão.

Relembre o caso que chocou Cachoeiro de Itapemirim
O crime que levou Valmir novamente para o sistema prisional aconteceu na manhã de 8 de outubro de 2024, no bairro Baiminas, em Cachoeiro de Itapemirim.
Cacilda Vetoraci Duarte, de 77 anos, e Luiz Geraldo Duarte, de 80, foram encontrados mortos dentro do Hotel Duarte, estabelecimento que pertencia ao casal e também era a residência deles.
As vítimas eram pais de Keila Vetorazzi, esposa do então prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho.
Segundo as informações apuradas na época, os dois foram assassinados por volta das 11h30, no segundo andar do imóvel. Ambos apresentavam ferimentos provocados por golpes de faca.
A brutalidade do crime chamou ainda mais atenção porque dois cães da família também foram encontrados mortos dentro do hotel. Os animais estavam no primeiro andar.
Casal alugou quarto antes do crime
De acordo com as investigações e posteriormente com as informações consideradas pela Justiça, Valmir Santana Ribeiro e Adriana de Souza Santos haviam alugado um quarto no hotel antes dos assassinatos.
Naquele momento, a principal linha de investigação trabalhada pela Polícia Civil era a de latrocínio — roubo seguido de morte.
A suspeita ganhou força porque, além das mortes, o veículo das vítimas havia sido levado do local.
Um familiar acionou a polícia depois de chegar ao imóvel e encontrar vestígios de sangue. Também foi percebido que o carro não estava mais na propriedade.
Paralelamente, um alerta foi emitido para tentar localizar o veículo.
Suspeito foi encontrado com carro das vítimas
A localização do automóvel ajudou a polícia a chegar aos suspeitos ainda pouco tempo depois do crime.
Segundo o delegado Felipe Vivas, que atuava no Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro, a Guarda Municipal avistou um homem dirigindo o veículo roubado.
O suspeito apresentava dificuldade para manobrar e chegou a pedir ajuda a pessoas que estavam nas proximidades para colocar o carro sobre a calçada. Foi nesse momento que os agentes realizaram a abordagem.
O homem foi preso no bairro Independência e, conforme informou à época o tenente-coronel Palaoro, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar de Cachoeiro, confessou o crime.
Ainda segundo o oficial, o suspeito teria contado que havia um plano de deixar Cachoeiro e seguir para Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Ele também relatou que os envolvidos haviam usado drogas antes do crime.
A outra suspeita, apontada como companheira do homem, foi localizada em uma casa e também detida.
Polícia encontrou cenário de sangue e violência
Na época da investigação, o delegado Felipe Vivas afirmou que o imóvel estava revirado e apresentava vestígios de sangue.
“Um familiar acionou a polícia ao chegar em casa e encontrar vestígios de sangue. Também verificaram que o carro da vítima não estava no local. Paralelamente, foi disparado um alarme em busca do veículo. Ao mesmo tempo, a Guarda Municipal avistou o suspeito com o carro, ele estava com dificuldade de manobrar e pediu ajuda a populares para colocar o veículo na calçada. Nesse momento, a Guarda fez a abordagem.”
disse.
O delegado também explicou que, naquele momento, a investigação trabalhava com a possibilidade de os suspeitos serem usuários de drogas e reforçou que a violência empregada no crime poderia caracterizar o caso como latrocínio.
“Os suspeitos possivelmente são usuários de drogas. O crime de furto não pode ser banalizado, pois basta o emprego de violência com resultado morte para se transformar em latrocínio, como neste caso, que teve requintes de crueldade e banalização da vida humana. Além das vítimas, mataram dois animais que estavam no imóvel. A suspeita é de latrocínio. Os suspeitos disseram que vieram se hospedar, mas ainda não temos detalhes para entender melhor a situação. A casa está toda revirada e com vestígios de sangue.”
afirmou.
Morte dos cães também entrou na investigação
A morte dos dois animais tornou o caso ainda mais grave na época.
Inicialmente, havia a suspeita de que os cães também tivessem sido mortos com golpes de faca. Essa possibilidade chegou a ser mencionada pelo delegado durante as primeiras informações sobre a ocorrência.
Mais tarde, porém, durante uma coletiva de imprensa, o perito-oficial da Polícia Científica Carlos Alberto Dalcin esclareceu que os animais não apresentavam lesões externas e aparentes que indicassem o uso de faca.
Na ocasião, outras possibilidades passaram a ser consideradas pelos investigadores, incluindo agressões com socos ou pauladas e até envenenamento.
Os cães estavam no primeiro andar do imóvel, enquanto Cacilda e Luiz foram encontrados mortos no segundo andar.
Família se manifestou após o crime
A morte dos pais provocou manifestações públicas da família.
Na época, Keila Vetorazzi publicou um vídeo nas redes sociais reunindo fotografias ao lado dos pais e escreveu uma mensagem de despedida:
“Senhor, receba meus queridos pais aí no céu. Quanta dor!”
lamentou.
O então prefeito Victor Coelho, marido de Keila, também se pronunciou sobre a tragédia e pediu respeito ao momento vivido pela família.
“Neste momento de extrema dor, peço a todos que respeitem minha privacidade e o luto da minha família.”
disse.
Na mesma publicação, acrescentou:
“Conto com a compreensão de todos para que possamos ter nosso momento de recolhimento e união familiar.”
finalizou.

Investigação terminou com condenação
Após a prisão, Valmir Santana Ribeiro e Adriana de Souza Santos passaram a responder pelo crime e, posteriormente, foram condenados pela Justiça.
Valmir recebeu uma pena de 67 anos de prisão. A condenação fez com que ele permanecesse recolhido no sistema prisional até ser encontrado morto nesta quarta-feira (23).
Agora, a morte do detento será apurada pela Polícia Civil. Segundo a Sejus, os procedimentos de praxe foram realizados pela unidade prisional, incluindo a comunicação aos familiares e o acionamento da polícia para investigar a ocorrência.
