Uma reviravolta pode mudar os rumos da investigação sobre a morte de Laydiane Lacerda da Silva, de 33 anos, grávida de 18 semanas, encontrada morta no início de outubro, em Cristal do Norte, distrito de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo. Um homem preso na madrugada desta sexta-feira (16), suspeito de estuprar e tentar matar outra mulher na mesma localidade, teria confessado também o assassinato da gestante.
O marido de Laydiane, de 29 anos, havia sido preso em flagrante e autuado por feminicídio. Caso a nova versão seja confirmada pelas investigações, a autoria do crime poderá ser revista, e a prisão do companheiro poderá ter ocorrido de forma equivocada. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou que o homem detido seja o responsável pela morte da grávida.
Suspeito foi encontrado escondido em uma igreja
De acordo com a Polícia Militar, a ocorrência começou durante a madrugada, quando uma mulher procurou ajuda e relatou ter sido vítima de estupro e de uma tentativa de homicídio dentro da própria residência. Ela informou que o suspeito havia invadido o imóvel, e os policiais constataram que a vítima apresentava um ferimento provocado por faca.
Após receberem as informações, os militares iniciaram buscas na região. O homem foi localizado escondido em uma igreja e acabou preso com o apoio da Polícia Civil.
Durante a ocorrência, segundo o relato atribuído ao suspeito, ele teria entrado na casa da mulher com a intenção de roubar. Ao encontrá-la dormindo, teria cometido a violência sexual e a atingido duas vezes com uma faca na região do pescoço.
Homem também teria confessado morte de Laydiane
Ainda durante a ocorrência, o detido teria relatado aos policiais que matou Laydiane no dia 3 de outubro. Conforme a versão atribuída a ele, a dinâmica teria sido semelhante à do ataque registrado nesta sexta-feira: ele teria invadido a residência para roubar, mas acabou estuprando e matando a vítima com golpes de faca no pescoço.
A possível ligação do homem com a morte da gestante, no entanto, ainda precisa ser apurada oficialmente. A confissão relatada durante a ocorrência, por si só, não confirma a autoria do feminicídio.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso estava em andamento no plantão da Delegacia Regional de São Mateus. Segundo a corporação, somente após a conclusão das oitivas seria possível definir o procedimento a ser adotado pelo delegado da Central de Teleflagrante.
“Sobre a possível relação do detido com o homicídio de uma mulher grávida, ocorrido na mesma localidade no dia 3 de outubro, a informação será apurada no decorrer das investigações que se encontram em andamento.”
informou a Polícia Civil.
Relembre a morte da grávida
Laydiane foi encontrada morta dentro de casa, em Cristal do Norte, no dia 3 de outubro. Na ocasião, o marido dela, de 29 anos, foi preso e autuado em flagrante por feminicídio, conforme a Lei Maria da Penha.
Segundo informações da Polícia Militar, a mulher estava no quarto da residência e apresentava perfurações na região do pescoço. Durante a verificação do imóvel, os policiais encontraram vestígios de sangue no banheiro, uma calça manchada de sangue e um canivete guardado em um coldre preso à peça de roupa.
Aos militares, o marido afirmou que havia saído para trabalhar pela manhã e, ao voltar para casa, encontrou a companheira morta. Após a autuação em flagrante, ele foi encaminhado ao sistema prisional, conforme informou a Polícia Civil.
Família não acreditava que marido tivesse cometido o crime
A irmã de Laydiane relatou que a vítima tinha baixa visão, sequelas motoras e deficiência intelectual, condições associadas a uma lesão cerebral provocada por toxoplasmose durante a gestação da mãe.
Segunda mais velha entre quatro irmãs, Laydiane era conhecida em Cristal do Norte. Segundo a familiar, a gravidez era muito desejada pela vítima, que havia sofrido um aborto cerca de dois anos antes e realizado acompanhamento médico para conseguir engravidar novamente.
Ela esperava um menino, que receberia o nome de Santiago.
Laydiane e o marido estavam juntos havia aproximadamente cinco anos. A família afirmou que nunca havia presenciado episódios de violência entre os dois e declarou não acreditar que ele tivesse cometido o assassinato.
Na noite anterior à morte, o casal esteve com familiares em um evento realizado na praça. De acordo com a irmã, os dois aparentavam estar bem.
A familiar também relatou que o marido ligou para parentes depois de encontrar Laydiane morta. Na delegacia, ele teria repetido que chegou à residência e encontrou a companheira já sem vida, com o corpo frio.
Com a nova confissão atribuída ao homem preso nesta sexta-feira, a investigação ganha um novo elemento. A Polícia Civil ainda precisa apurar a possível participação dele no assassinato da gestante e esclarecer as circunstâncias do crime.
