A agressão que mobilizou policiais em um estacionamento de supermercado em Vitória e ganhou repercussão pela violência relatada no episódio voltou a ter desdobramentos na Justiça. O soldado Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, acusado de agredir a namorada e ameaçar outros militares durante a ocorrência, continuará preso preventivamente por decisão da Justiça Militar.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Justiça, em audiência realizada em 26 de outubro. Durante a sessão, quatro testemunhas foram ouvidas. A defesa pediu a liberdade do acusado e sugeriu, como alternativa, o uso de tornozeleira eletrônica, mas o pedido foi negado.
Justiça aponta risco à vítima e à disciplina militar
Ao analisar o pedido de soltura, o juiz considerou que a liberdade do soldado poderia representar risco à vítima, que também integra a Polícia Militar. A decisão destacou ainda que a conduta atribuída ao acusado teria comprometido a hierarquia e a disciplina da corporação.
Segundo a Justiça Militar, Marcelo teria dificultado a atuação das equipes policiais, resistido à contenção e ameaçado militares mais antigos. Para o magistrado, os episódios também abalaram publicamente a autoridade dos profissionais envolvidos no atendimento da ocorrência.

Acusações incluem agressões e ameaças a policiais
Conforme o registro da ocorrência, a policial militar teria sido retirada à força de um carro, arrastada pelo chão e atingida com golpes na cabeça.
Durante a intervenção, o soldado também teria ameaçado e agredido outros policiais. Entre os episódios relatados está um soco no rosto de um sargento, que teria provocado a quebra dos óculos do militar.
Diante da resistência, foi necessário o apoio de outras equipes para conter o suspeito.
Militar também responde a processo na Justiça comum
Em março, Marcelo Ramos Araújo tornou-se réu na Justiça comum. Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), ele responde por violência psicológica, ameaça e lesão corporal qualificada.
A denúncia inclui ainda a acusação de vias de fato contra um primo que, conforme o Ministério Público, teria tentado impedir o conflito.
O soldado permanece preso preventivamente enquanto os processos seguem seus trâmites.
Defesa afirma confiar na Justiça
Em nota, a defesa declarou:
“está pautada na prova do processo e confiamos que o Tribunal do Júri irá entregar justiça e concluir pela inocência”.
A defesa, portanto, sustenta a inocência do acusado e afirma confiar no julgamento.
Reportagens anteriores do ES NA FITA
A equipe do ES NA FITA reuniu reportagens publicadas na época sobre o caso e seus desdobramentos. Para entender os acontecimentos anteriores, confira os links abaixo.
- Vídeo: militar é preso após arrastar e agredir namorada em estacionamento de supermercado em Vitória
- Vídeo: militar é preso após agredir namorada e dar soco em sargento durante ocorrência em Vitória
- PM preso por agredir esposa é investigado por liderar grupo de roubo de motos na Serra
Relembre o caso
A ocorrência aconteceu em 21 de fevereiro, no estacionamento de um supermercado localizado no bairro Jardim Camburi, em Vitória.
A Polícia Militar foi acionada para atender a uma briga e, ao chegar ao local, encontrou o suspeito exaltado, segundo o relato da ocorrência. Ele teria tentado continuar as agressões mesmo após a chegada das equipes.
Em depoimento, a vítima afirmou que os episódios de violência eram frequentes. Além das agressões físicas, ela relatou ameaças de morte e de provocar lesões permanentes, como atirar em sua mão ou no joelho. Também afirmou que o homem exercia controle sobre sua vida financeira.
De acordo com o boletim de ocorrência, as acusações eram acompanhadas de mensagens trocadas por WhatsApp.
Durante a intervenção policial, o soldado teria desobedecido às ordens dos agentes, empurrado policiais e feito ameaças. Na tentativa de prendê-lo, ele teria reagido novamente e atingido o rosto de um sargento com um soco, quebrando os óculos do militar.
A gravidade dos relatos sobre a ocorrência e a dinâmica da intervenção contribuíram para a repercussão do caso.
