Três homens foram condenados pelo Tribunal do Júri a penas que, somadas, ultrapassam 400 anos de prisão pela chacina que vitimou quatro pessoas da mesma família no distrito de São Rafael, em Linhares. O crime ocorreu em dezembro de 2014 e foi marcado por extrema violência, incluindo estupro e a queima dos corpos das vítimas. A sentença foi anunciada na noite desta última quinta-feira (23), com determinação de cumprimento imediato em regime fechado.
Condenação e prisão imediata
Os réus Jairo Conceição dos Santos, Ismael Vitor dos Santos Júnior e Maurício Ramos dos Santos receberam pena de 140 anos de reclusão cada um.
Jairo e Ismael, que respondiam ao processo em liberdade, participaram do julgamento e tiveram a prisão decretada imediatamente após a leitura da sentença. Já Maurício, que já estava preso, teve a detenção mantida pela Justiça.
A decisão foi tomada após dois dias de julgamento, com base nas provas reunidas ao longo da investigação.
Crime foi premeditado e motivado por desavenças
De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os três homens planejaram o ataque e se dirigiram até a residência das vítimas com a intenção de executá-las, motivados por conflitos pessoais.
No local, foram assassinados:
- Franciele Telek de Oliveira
- Flávio Telek de Oliveira
- Eleilson Souza
- Uma criança de apenas 3 anos
Segundo os autos do processo, Franciele foi estuprada dentro da residência, na presença da criança, antes de ser assassinada.
Crueldade e tentativa de ocultação dos corpos
Após cometerem os homicídios, os criminosos atearam fogo nos corpos das vítimas. A prática, além de dificultar a identificação, impediu que os familiares realizassem um sepultamento digno — circunstância considerada agravante na dosimetria da pena.
O Conselho de Sentença reconheceu que os crimes foram praticados com extrema crueldade, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e por motivo torpe. No caso da criança, a pena foi ainda mais severa devido à vulnerabilidade da vítima.
Atuação do Ministério Público foi decisiva
A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Adriani Ozório e Claudeval Franca, que sustentaram a tese de homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver.
Durante o julgamento, os representantes do Ministério Público destacaram a gravidade dos crimes e a necessidade de uma resposta firme do sistema de Justiça.
Caso gerou forte comoção
A chacina registrada em 2014 causou grande repercussão na região Norte do Espírito Santo pela brutalidade e pelo número de vítimas da mesma família.
A conclusão do julgamento, mais de uma década após o crime, representa um desfecho judicial aguardado pelos familiares e pela comunidade local.
