Uma comemoração após o resultado das eleições terminou em meio a tensão, xingamentos e disparos de balas de borracha na noite de domingo (25), no Centro de Muqui, no Sul do Espírito Santo. A atuação da Polícia Militar provocou reclamações de moradores, que denunciaram uma suposta ação violenta durante a dispersão da aglomeração. Já a corporação afirma que os policiais foram hostilizados e atacados com pedras e garrafas.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram diferentes momentos da ocorrência, incluindo a atuação dos militares e a revolta de pessoas que acompanhavam a situação. Diante das reclamações, a própria Polícia Militar informou que a conduta dos agentes será apurada pela Corregedoria da corporação.
Vídeos da confusão viralizam nas redes sociais
A reportagem teve acesso a vários vídeos publicados por meio do perfil Espírito Santo Qap. As imagens se espalharam rapidamente pelas redes sociais e mostram diferentes ângulos da confusão registrada durante as comemorações.
Em um dos registros, um jovem aparece arremessando um objeto na direção dos policiais. Em outro, é possível ouvir pessoas xingando os militares. Há ainda gravações em que moradores reclamam da atuação da Polícia Militar e questionam a maneira como a ocorrência foi conduzida.
Um dos vídeos obtidos pela reportagem mostra parte da intervenção policial e permite observar a tensão no local. Nossa equipe teve acesso ao vídeo que mostra o momento exato do ocorrido. Confira o vídeo.
Vídeo: Instagram ES na Fita
O que diz a Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar informou que a ocorrência começou na Avenida Avides Fraga, onde grupos ocupavam parte da via e prejudicavam o trânsito.
Segundo a corporação, os policiais inicialmente orientaram as pessoas a permanecerem na calçada, devido ao risco de acidentes. A PM também relatou que veículos trafegavam em alta velocidade enquanto buzinavam, motociclistas aceleravam intensamente os motores e havia carros estacionados de maneira irregular.
Ainda conforme a versão apresentada pela polícia, a situação se agravou quando populares passaram a hostilizar os militares e a desobedecer às orientações para liberar a via. A corporação afirma que pedras e garrafas foram arremessadas contra a equipe.

Clima frenético
Para dispersar a aglomeração, os policiais utilizaram equipamentos classificados como de menor potencial ofensivo, incluindo balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.
A PM informou que a intervenção teve como objetivo preservar a ordem pública, garantir a segurança dos cidadãos e dos próprios policiais, assegurar a circulação de veículos e pedestres e evitar o agravamento de situações que colocavam em risco a segurança viária e a integridade física dos envolvidos.
Apesar da justificativa apresentada, a corporação confirmou que a atuação policial será investigada pela Corregedoria da Polícia Militar, que deverá esclarecer as circunstâncias da ocorrência e verificar os procedimentos adotados pelos agentes.
Comandante se pronuncia sobre a ocorrência
O major Igor Barcelos Rody, comandante da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar, também se pronunciou sobre os acontecimentos.
Ao comentar a presença policial no local, ele afirmou:
“Inicialmente a equipe de policiamento encontrava-se no local para fazer a segurança dos manifestantes ação essa legítima e também iniciou-se de forma pacífica é importante ressaltar, com o passar das apurações indivíduos começaram a acelerar suas motocicletas fazendo da aceleração imprimindo a aceleração máxima e também empreendendo manobras de arrancada brusca trazendo riscos para a população local.”
Em outro trecho do pronunciamento, o comandante afirmou que os policiais pediram educadamente que os envolvidos interrompessem as manobras, mas que algumas pessoas continuaram com a conduta.
Ele também declarou que:
“indivíduos estavam infiltrados no meio da manifestação que começou de forma pacífica começaram a arremessar contra a guarnição pedras e garrafas de vidro”.
As declarações do comandante apresentam a versão da Polícia Militar sobre o que teria motivado a intervenção. As reclamações de moradores sobre a atuação dos agentes, por sua vez, também foram registradas em vídeos divulgados nas redes sociais.
Moradores relatam possíveis feridos
Durante a intervenção, segundo a Polícia Militar, não foi possível identificar e deter os envolvidos na confusão. A corporação também informou que não possui registros de pessoas feridas relacionados à ocorrência.
No entanto, a reportagem obteve imagens nas quais moradores relatam ter sido atingidos durante o tumulto. Os registros levantam questionamentos sobre possíveis ferimentos durante a dispersão da aglomeração.
Até o fechamento desta reportagem, a equipe não conseguiu confirmar oficialmente quantas pessoas teriam ficado feridas.
A apuração da Corregedoria da PMES deverá esclarecer as circunstâncias da atuação policial e os procedimentos adotados durante a ocorrência em Muqui.
